"Como dois e dois são quatro/Sei que a vida vale a pena/Embora o pão seja caro/E a liberdade pequena" (Ferreira Gullar)
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CANTO DE RECORDAÇÃO DA MORTE DO INFELIZ GAÚCHO (+)
Data: 03/03/2013
Créditos:
CANTO DE RECORDAÇÃO DA MORTE DO INFELIZ GAÚCHO FERMIANO ANTUNES
(Baseado em um fato real ocorrido no bairro da Chacra, em Itaqui-RS)
Poema gaúcho recitado pelo autor, Landro Oviedo
Fundo musical: "Milonga", de Abel Fleury, com Cacho Tirao

CANTO DE RECORDAÇÃO DA MORTE DO INFELIZ GAÚCHO FERMIANO ANTUNES

(Baseado em um fato real ocorrido em Itaqui-RS, no bairro da Chacra, numa Sexta-Feira Santa) 

As nuvens se adensavam
naquela tarde esquisita
tarde de matar um homem
no rancho pagão da TIta

Ano de 75
Sexta-Feira da Paixão
Fermiano encontrou a morte
não teve ressurreição

O lugar já fora um templo
lar sagrado de fiéis
virara tasca na Chacra
carinho a poucos mirréis

Fermiano levou carão
da china que cortejava
e não conteve a angústia
de um culo na tarde brava

De trago em trago o Fermiano
juntou raiva e ficou azedo
e já do lado de fora
desacatou o chinaredo

Três homens com ar de dono
Fermiano em trôpegos passos
lhe tomaram o revõlver
e o rodaram de um planchaço

Fermiano em sobrevida
- visão da morte ampliada -
acudiu ao rancho ao lado
morreu no chão da ramada

Ano de 75
Sexta-Feira da Paixão
Fermiano encontrou a morte
não teve ressurreição

Três tiros, sangue na terra
o olhar embaciado
o grito dos matadores
excomungando o finado

Morreu assim o Fermiano
que nem um cusco sem dono
sua alma, uma folha solta
se desgarrando no outono

Ano de 75
Sexta-Feira sem paixão
a chuva guasqueava um corpo
insepulto na escuridão.



"Antologia do Sul". Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, 2001. Org.: Dilan Camargo
Enviado por Landro Oviedo em 07/03/2012



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