"Como dois e dois são quatro/Sei que a vida vale a pena/Embora o pão seja caro/E a liberdade pequena" (Ferreira Gullar)
Textos


PAJADA DO VIRSO – O CAPATAZ DESTRAMBELHADO

É dura a vida no campo

Nos relata o Sávio Moura (www.saviomoura.com.br)

Lá o índio não se agoura

Enfrenta até tempestade

Há um clã de fraternidade

E de valores reais

Flagrantes para os anais

Unindo pampa e cidade


 

O capataz é o Virso

Um índio meio sotreta

Trabalha se dá veneta

E até se faz de tambeiro

É um aprendiz de campeiro

Por vezes peão caricato

A ele deste ornato

Mestre Vinícius Ribeiro


 

Falam bem e mal do Virso

Quera às vezes indolente

Mas no fundo é boa gente

Gostando da boa vida

Não é muito dado à lida

E conta com a bicharada

Para dar uma tapeada

Nas tarefas recebidas


 

A vida que o Virso leva

É uma vida mais ou menos

Cochila até nos fenos

E pros bichos é uma comédia

Tem que andar na curta rédea

Pra desempenhar o ofício

Que pra aprender foi difícil

Usou até a Wikipédia


 

A Juracema o Virso

Enrola com perfeição

Ora diz sim, ora não

Vai levando com ardil

Mudar de estado civil

É um cabresto na certa

E quando a coisa aperta

Ele faz que não ouviu

 

Esse é o Virso, agregado

Que é cria lá da Fronteira

Tem uma alma violeira

Num canto que se expande

Seu coração é um estande

Onde não cabem contendas

Só o mundo da fazenda

E o universo do Rio Grande.

Landro Oviedo
Enviado por Landro Oviedo em 17/11/2013
Alterado em 17/11/2013


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