"Como dois e dois são quatro/Sei que a vida vale a pena/Embora o pão seja caro/E a liberdade pequena" (Ferreira Gullar)
Textos


MEU VELHO QUARTE*

Meu velho Quarte querido
Dos folguedos de guri
Te arrancaram da paisagem 
Do meu antigo Itaqui

Santuário xucro da Chacra
Meu aquário, meu mundinho
Em ti isquei esperanças 
Pros meus primeiros caminhos

Na tua simplicidade
Pra mim eras mais que rio
Eras o refresco e o peixe
Na mesa do pobrerio

Tuas marrequinhas verdes
Flutuavam à beira d'água
Hoje na minha lembrança
Balançam nas minhas mágoas

Te derrubaram, meu açude
Interromperam tua trilha
Como um dia ousaram
Com nossa humilde casilha

Nunca mais virão os pássaros
Beber em tua mansidão
Vou morrer com tua aguada
Me embebendo o coração

...............................................................

Meu velho Quarte
Lago perdido
Hoje te invoco
Mui compungido

Meu velho Quarte
Tão esquecido
Dormem tuas águas
Nos tempos idos

* "Quarte" é uma corruptela de "Córte"
Landro Oviedo
Enviado por Landro Oviedo em 12/07/2014
Alterado em 14/01/2015


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