"Como dois e dois são quatro/Sei que a vida vale a pena/Embora o pão seja caro/E a liberdade pequena" (Ferreira Gullar)
Textos


A TERRÍVEL MORTE DO CACHORRO BOLACHINHA EM SÃO BORJA

Foi nos pagos de São Borja
Que se sucedeu o tal fato
Um figurão da cidade
Cometeu esse mau-trato

O Bolachinha era um cão
Alegre pela cidade
Benquisto dos moradores
Não merecia a maldade

Contam que o Bolachinha
Foi além de uma murada
Entrou na casa do bruto
Pra cortejar a namorada

E ele e a cachorrinha
No mais eterno dos ritos
Cumpriram com seu instinto
Nesse milagre bendito

Não pode um cão de rua
Possuir dama tão bela
Foi a sentença de morte
Pelo dono da cadela

Ele pegou o Bolachinha
E de maneira covarde
Cortou os seus apetrechos
E essa dor ainda arde

Recolheram o Bolachinha
Em sangue muito lavado
Era tarde pra salvá-lo 
E ele foi sacrificado

O bom povo missioneiro
Quer justiça de verdade
Bandido rico e de posses
Aposta na impunidade

Nos perdoe, Bolachinha
Partiste cedo demais
Lutemos em tua memória
Por respeito aos animais

Há de chegar algum dia
Com a vida em prioridade
Tua morte há ser crime
Contra toda a humanidade

O teu olhar, Bolachinha
Ao coração vinha reto
Teus latidos se perderam
Num mundo de pouco afeto.
 
Landro Oviedo
Enviado por Landro Oviedo em 26/06/2016
Alterado em 27/06/2016


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