"Como dois e dois são quatro/Sei que a vida vale a pena/Embora o pão seja caro/E a liberdade pequena" (Ferreira Gullar)
Textos


    Minha terra xucra, hoje estás de aniversário. Em meio aos meus afazeres, e com os teus 158 anos se escoando pela ampulheta do tempo neste 6 de dezembro, eu venho aqui te saudar e te dizer que sou muito grato por teres dado a primeira luz da minha retina num flagrante que já vai longe, tão longe como o apito do trem que passava quase na porta da minha casa humilde no bairro da Chácara.
    Quero te dizer que em ti forjei meus valores, minha felicidade de guri que me acompanha até hoje. Em teus campos e várzeas, dei vazão às minhas ânsias de futuro, em teu rio me fiz reflexivo, olhando as águas que passavam para nunca mais voltar, numa correnteza que me acenava novos lugares e novos sonhos. Com tua gente, pude aprender o valor da solidariedade, notadamente entre os mais pobres, que cultivam a humildade e a vontade de ajudar-se mutuamente. Em tuas escolas, aprendi as primeiras letras, que me permitiram um dia expressar meus sentimentos, ainda que de forma sofrível. Em tuas ruas, fiz amigos e pude sentir o quanto a amizade nos permite ser a cada dia melhor porque nos faz querer o bem do outro. São tantos os fatos marcantes, como o primeiro beijo, o gosto do mate, as melodias que nos fizeram amar nosso cancioneiro, as primeiras leituras, os banhos de sanga, tantas lembranças imperecíveis, que hoje, tanto tempo longe de ti, ainda carrego comigo tua tatuagem na minha alma, tua essência de aldeia no meu jeito de aldeão.
     De longe, eu te saúdo, com o coração apertado, pleno de saudades. Nós, itaquienses, todos, de longe ou de perto, te amamos com um amor carnal, lembrando Erico Verissimo sobre Manoelito de Ornellas, que também te amava sem peias nem pejos. Uma das primeiras coisas que falamos para qualquer pessoa que conhecemos em outras plagas, cheios de orgulho, é que somos de Itaqui. Posso dizer que saí da minha terra, mas ela nunca saiu de mim. A minha vida toda tem sido um empate fora de casa. Mas só geograficamente. Parabéns, meu Itaqui, nosso para sempre.
Landro Oviedo
Enviado por Landro Oviedo em 06/12/2016
Alterado em 07/12/2016


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