"Como dois e dois são quatro/Sei que a vida vale a pena/Embora o pão seja caro/E a liberdade pequena" (Ferreira Gullar)
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É CEDO AINDA, ALCIMAR!
     Nesta terça-feira, 9 de maio, fui surpreendido por uma morte prenunciada. Morreu o meu amigo, escritor, advogado e jurista José Alcimar de Oliveira Cruz, acriano que escolheu o Rio Grande do Sul para viver. Ele nos deixa com apenas 39 anos, cheio de sonhos, determinado, estudioso, disciplinado, culto, enciclopédico no direito.
     Ele faleceu no Hospital da PUC, ceifado por uma doença que lhe atingiu os rins e os pulmões. Lutou pela vida durante quase um mês, mas não resistiu à enfermidade, que lhe foi aos poucos minando o ar e as funções vitais.
     Conheci o Alcimar quando montava turmas de Português para concursos e ele se matriculou para estudar comigo. A partir daí, ficamos amigos. Revisei um dos seus livros, sobre direito do trabalho, e estava agora revisando um dicionário sobre direitos humanos. Seguidamente, ele vinha ao meu escritório para conversar e trocarmos ideias. Muito me orientou em questões práticas de direito processual, matéria da qual tinha pleno domínio.
     O Alcimar deixou sua terra natal com o sonho de um dia ser juiz ou promotor e ajudar sua família e seus pais, que são agricultores. Já tinha passado em um concurso para advogado de um órgão público e estava se preparando para continuar tentando um cargo de maior grau na escala profissional do direito, algo que era uma questão de tempo. Infelizmente, a Indesejada das Gentes o colheu no meio de um caminho que se divisava brilhante.
     O mundo não parece ter a noção de ser justo ou injusto. Nele, as coisas acontecem, indiferentes à dor das pessoas, ao seu estranhamento com o ciclo da vida. Nenhuma gota de chuva deixa de cair por conta da nossa orfandade. Em meio a isso, a nossa dor é intrinseca, plena de humanidade e de perguntas sem respostas. De nada adianta ser cedo ainda para o Alcimar. Ele se foi, deixando uma lacuna que se revela imensa sem seu gênio, sem sua polidez, sem sua afetividade, sem sua verve e inteligência. O dia está pesaroso. E o Alcimar nunca mais vai bater à porta do meu escritório. Pontual como sempre. Foi-se embora sem café, sem adeus, sem voltar. 
Landro Oviedo
Enviado por Landro Oviedo em 09/05/2017
Alterado em 09/05/2017


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