"Como dois e dois são quatro/Sei que a vida vale a pena/Embora o pão seja caro/E a liberdade pequena" (Ferreira Gullar)
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BOLSONARO E SUAS VERDADES DE CHAMBÃO

     Jair Bolsonaro, eleito presidente do Brasil, escolheu para sua campanha um mantra que pode ser considerada uma tautologia do nada para coisa nenhuma. Ele se arvora como redescobridor da máxima “conhecereis a verdade e ela vos libertará” (João, 8.32). Todavia, as verdades de Bolsonaro são aquelas de capitão do mato, como as do personagem do conto “Pai contra mãe”, de Machado de Assis, uma obra-prima da literatura brasileira.
     Bolsonaro tem no seu repertório de sandices algumas afirmações que seriam reprovadas em qualquer detector de mentiras da história, mesmo de modelos mais antigos. Falar que o regime militar foi bom para a população é manipular os fatos. Foi um governo entreguista que transformou o país num quintal do capital estrangeiro, o que se mantém até hoje, inclusive durante os governos subservientes do PT ao sistema financeiro internacional. No ano do golpe militar, a dívida externa brasileira era de 3,294 bilhões de dólares e, em 1985, chegou a 105,171 bilhões de dólares, ou seja, cresceu 32 vezes no período dos governos verde-oliva. Bolsonaro acha que o meio ambiente é um estorvo que precisa ser conduzido pelo agronegócio. Igualmente pensa que a Previdência Social, uma garantia mínima para que as pessoas possam envelhecer com alguma segurança, é outro entrave ao desenvolvimento do país. Sinaliza que os investimentos em áreas estratégicas têm que ser cortados e votou a favor da lei que comprime gastos públicos, limitando o atendimento aos carentes. Prega contra a corrupção, mas embolsou o auxílio-moradia tendo imóvel em Brasília e empregou uma funcionária fantasma, além de sua família ter enriquecido de forma inexplicável na vida pública, em muito semelhante à família de Lula. Cada um aproveita suas oportunidades de acordo com sua ética de ocasião.
     As estultices e manipulações verbais de Bolsonaro são muitas. Mas a que mais me chocou no período mais recente foi quando ele disse que a censura à imprensa era necessário no regime militar a fim de impedir que houvesse mensagens em código nos textos para dar ordens a terceiros para realizar atentados e outros crimes. Que crápula, que sacripanta! Quem fazia isso era exatamente o estamento que ele defende. Foi assim no Riocentro, em 1981, quando um grupo de militares encastelado no governo preparou um atentado à bomba para culpar os manifestantes do Primeiro de Maio, valendo-se de sangue inocente para prolongar o poder autoritário. A psicopatia política de Bolsonaro é tanta que não duvido que daqui a pouco ele queira absolver a Santa Inquisição e culpar os “hereges”.
     Em artigo anterior, eu disse que o povo é sábio do seu jeito. Aprende por tentativa e erro. Como diz o filósofo Lulu Santos, “tudo muda o tempo todo no mundo”. Descobrir Bolsonaro como uma farsa, como “fakepower”, é questão de tempo. Parafraseando seu bordão, que soa patético em sua elocução primitiva, “conhecereis Bolsonaro e a realidade vos libertará”. Não todos, claro, porque os incautos e os tolos fazem parte de um segmento com altas taxas de fertilidade. Ah, e fazem comentários com rasa interpretação do que foi realmente escrito.
Landro Oviedo
Enviado por Landro Oviedo em 06/11/2018
Alterado em 06/11/2018


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