"Como dois e dois são quatro/Sei que a vida vale a pena/Embora o pão seja caro/E a liberdade pequena" (Ferreira Gullar)
Textos


QUANDO SE VAI UM AMIGO

Quando se vai um amigo 
Morre um pouco de nós 
Fica um açude nos olhos
E um triste embargo na voz

Quando se vai um amigo 
A vida se faz dolente
E a navalha da saudade
Dá golpes intermitentes

Quando se vai um amigo 
Emudece a querência
Dobra a marcha de Chopin
Em laivos de condolência

Quando se vai um amigo
Cada instante partilhado
Vira um tesouro intangível
Lá no baú dos lembrados

Quando se vai um amigo
Andejar noutras paragens
O vazio do seu abraço
Enlaça como tatuagem

Quando se vai um amigo
Rumando ao absoluto
As​​​​​ almas dos que ficamos
Se paramentam de luto.



(Em memória de Jorge Eduardo Loro Ramos, o Jorginho, meu grande amigo, falecido em 3.2.2019, em Porto Alegre-RS)


 
Landro Oviedo
Enviado por Landro Oviedo em 04/02/2019
Alterado em 06/02/2019


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