"Como dois e dois são quatro/Sei que a vida vale a pena/Embora o pão seja caro/E a liberdade pequena" (Ferreira Gullar)
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     O PARLAMENTO BRASILEIRO E SEU SACO DE MALDADES

     Diante de um governo fraco e inepto como o de Jair Bolsonaro, que já se mostra também suscetível à corrupção no varejo, o que já vem de sua origem, e no atacado, a classe dominante brasileira está transferindo para o Congresso a tarefa de atacar direitos e reduzir ganhos do povo brasileiro. Nesse processo, Rodrigo Maia (Dem-RJ), que responde a três processos no STF por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, é o capitão-mor do navio negreiro da política brasileira.
     A exemplo da lei do limite de gastos, que só reduz investimentos e não cortou privilégios, ou da reforma trabalhista, cujos autores e cúmplices diziam que iriam melhorar a vida do brasileiro, agora se aprovou uma reforma da Previdência colocada pelos boquirrotos como a salvação da horta. Todavia, mal terminado o primeiro turno da votação na Câmara, eles já começam com os rumores de que não mais será suficiente e necessitar-se-á de fazer novas sangrias, como a adoção do ora descartado título de capitalização para entregar as aposentadorias ao mercado de capitais. Enquanto isso, sobre os exorbitantes juros da dívida pública, o manjar dos banqueiros, um silêncio criminoso e escuso.
     Em meio a isso, vários ataques começam a ser urdidos, aí incluídos os servidores públicos, que são sempre vilões sem nunca terem governado, mas levam a culpa por muitos desmandos. Eduardo Leite (PSDB-RS), governador do Rio Grande do Sul, está privatizando três empresas estatais. Os servidores, que apostaram numa carreira, planejaram seu futuro a partir de suas opções profissionais, agora correm o risco de ficar sem trabalho, sem renda e sem aposentadoria, uma vez que com mais de 13 milhões de desempregados, poucos conseguem reorganizar suas vidas. Interessante é que os gestores são tão corajosos que só mexem com os mais frágeis. São valentes contra os pobres e afetados ao tratar com as elites e com as carreiras de peso. Nessa esteira, vem aí outro ataque, o da avaliação do servidor feita por apaniguados dos governantes, uma forma de perseguir concursados e privilegiar seus sacripantas de estimação.
     Mais uma vez, o que se vê nesta grande senzala brasileira do século XXI, em que seis pessoas têm a renda equivalente à de cem milhões, é que os discursos da justiça e da moralidade andam juntos. Todavia, se desvelados, apontam para direções contrárias. A justiça são as regras e as leis feitas pelo estamento superior, como o Congresso, em causa própria e para seus asseclas. Já a moralidade é a imposição de cumprimento feita aos mais pobres, que lhe devem obediência cega numa aparência de normalidade em que cada homem e cada mulher consomem suas existências em meio a carências e a ilusões que se esboroam diante da realidade perversa.
Landro Oviedo
Enviado por Landro Oviedo em 16/07/2019
Alterado em 18/07/2019


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