"Como dois e dois são quatro/Sei que a vida vale a pena/Embora o pão seja caro/E a liberdade pequena" (Ferreira Gullar)
Landro Oviedo
"Somente buscando palavras é que se encontram pensamentos" (Joseph Joubert)
Capa Meu Diário Textos Áudios E-books Fotos Perfil Livros à Venda Prêmios Livro de Visitas Contato Links
Meu Diário
13/11/2021 10h25
SOMERSET MAUGHAM SOBRE OS INGLESES

     Este trecho de Somerset Maughan sobre os ingleses é genial.

     "Os ingleses, o que quer que tenham sido na era elizabetheana, não são  uma raça amorosa.   O amor, neles, é mais sentimental que apaixonado. É claro que são suficientemente sexuais para os fins da reprodução da espécie, mas não podem dominar o instintivo sentimento de que o ato sexual é repugnante. São mais inclinados a considerar o amor como afeto ou benevolência do que como paixão (...). O inglês é a única língua moderna  em que se julgou necessário tomar de empréstimo ao latim uma palavra de sentido pejorativo, a palavra "uxorious", para o dedicado amor de um homem à sua esposa. Que esse amor possa absorver um homem, afigura-se-lhes indigno. Na França, um homem que se arruinou por causa de mulheres é geralmente olhado com simpatia e admiração; existe o sentimento de que a coisa valeu a pena, e o homem que o fez sente até certo orgulho nisso; na Inglaterra ele será considerado e se considerará a si mesmo um perfeito idiota. Eis por que Antônio e Cleópatra foi sempre a menos popular das grandes peças de Shakespeare. O público achou discutível perder um império pelo amor de uma mulher. Na verdade, se isso não fosse baseado em um episódio universalmente aceito, seriam unânimes em afirmar que tal coisa era inacreditável." ("Confissões", Editora Globo, 1951, tradução de Mario Quintana, p.p. 106-107).

     Depois disso, resta esperar que a ordem do universo não dependa, por exemplo, de o humor ser alemão, os cozinheiros britânicos, os mecânicos franceses, os amantes ingleses e os organizadores italianos. No Rio Grande do Sul, há uma famosa frase atribuída ao general Flores da Cunha para explicar, com indisfarçável orgulho, sua condição franciscana ao final da vida: "Perdi tudo com cavalos lerdos e mulheres ligeiras". 

 

 

 

Publicado por Landro Oviedo
em 13/11/2021 às 10h25
 
11/11/2021 03h33
CONSOLO CONTRA O RIDÍCULO

Amigos e amigas

Se alguma vez vocês fizerem algo muito, mas muito ridículo, eu espero que este vídeo sirva de consolação. Sempre pode haver um vexame maior. Cliquem no linque abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=jaucomU59ek

Publicado por Landro Oviedo
em 11/11/2021 às 03h33
 
25/10/2021 18h43
CONTOS DE ALTINO MACHADO

     Para quem gosta de garimpar livros em sebos, a aventura é sempre garantida e a expectativa também. É algo que se pode comparar a uma pescaria. Por vezes, rende algo; doutras vezes, nada. A literatura costuma ser profícua em novidades quando menos se espera.

     Foi mais ou menos sem esperar muito que descobri o livro de contos de Altino Machado (1924-2011), "A figura refletida", num sebo na cidade de Guaíba. Comecei a folheá-lo e me vi fisgado de pronto por sua prosa leve, fluente, com tramas bem urdidas e de finais marcantes. Trata-se de contos urbanos cinematográficos, pois vamos acompanhando o desenrolar dos acontecimentos com visão panorâmica numa tela improvisada pela narrativa. São pequenos flagrantes da vida que primeiramente parecem interessar apenas aos personagens. Todavia, parafraseando Karl Marx, nada que é humano nos pode ser estranho. Então, nossa projeção nessa sua classe média ou na arraia-miúda das cidades em transformação é inevitável e tudo acaba nos dizendo respeito, seja para ratificar o que está sendo vivido, seja para suspirar por uma aventura que nunca vivemos.

     Confesso que nunca tinha ouvido falar de Altino Machado. Agora, falar dele me parece imperioso e uma questão de justiça literária.   

 

 

Publicado por Landro Oviedo
em 25/10/2021 às 18h43
 
21/09/2021 22h11
E OS JOVENS? ARTIGO QUESTIONA A AUSÊNCIA DELES NA VIDA DO PAÍS

     Em brilhante artigo publicado no Estadão (21.9.2021), o articulista Pedro Fernando Nery questiona por que os jovens estão ausentes das decisões efetivas dos destinos da nação. Isso me fez lembrar um trecho da obra de Somerset Maughan.

     Advertência: nunca leia Somerset Maughan como mero entretenimento e só faça isso com boa autoestima.

     "Ansiava [o jovem Philip] por aventuras e sentia-se ridículo por não ter ainda, na sua idade, experimentado aquilo que a ficção lhe ensinara ser a coisa mais importante da vida. Possuía, no entanto, o dom infeliz de ver tudo como na verdade era, e a realidade diferia terrivelmente do ideal dos seus sonhos.

     Não sabia como é vasto, árido e escarpado o país que o viajante da vida tem de atravessar para poder aceitar a realidade. É uma ilusão pensar que a mocidade seja feliz, uma ilusão daqueles que a perderam. Os jovens sabem que são miseráveis, pois alimentam falsos ideais que lhes foram incutidos e todas as vezes que entram em contato com o real sentem-se magoados e contundidos. Dir-se-ia serem vítimas de uma conspiração. Os livros que leem, livros ideais pela necessidade de seleção, e a conversa dos mais velhos, que olham para o passado através da nuvem rosada do esquecimento, preparam-nos para uma vida irreal. São obrigados a descobrir por si próprios que tudo o que leram e tudo o que lhes ensinaram é mentira, mentira, pura mentira. Cada nova descoberta é mais um prego que lhes fixa o corpo à cruz da vida. O estranho é que as próprias pessoas que sofreram esses amargos desenganos trabalham inconscientemente movidas por irresistível força íntima, para criar essa mesma atmosfera." ("Servidão Humana", cap. XIX)

 

 

Publicado por Landro Oviedo
em 21/09/2021 às 22h11
 
04/09/2021 12h51
ACERVO DE ALGACIR COSTA

     Eu quero agradecer ao apoio recebido do jornalista Celestino Meneghini, de Passo Fundo, que atendeu à minha demanda e da cantora Clary Costa no sentido de intermediar a transferência do acervo do músico Algacir Costa, do célebre conjunto musical Os Fronteiriços, para aquela cidade, que é o berço do grupo. Isso atende a um desejo do artista, que era o de ter sua memória preservada na cidade que tanto amou e divulgou no país inteiro e além-fronteiras. As tratativas, conforme nota que reproduzo abaixo, já estão sendo feitas. Segue o texto.

Memoria Algacir
Passo Fundo está prestes a consagrar memória a um de seus grandes músicos. O filho de Algacir Costa, Yamandu, e sua família, que se transfere para a Europa como um dos grandes instrumentistas mundiais, mostrou interesse em legar a Passo Fundo o acervo de seu pai. Algacir, já falecido, foi voz inconfundível e líder do conjunto os Fronteiriços, que fez história musical e poética. O vereador Wilson Lili entrou em contato com a Secretária Miriê Tedesco, da Cultura, para acolher a ideia. No final dos anos 70 foram muitos os grandes momentos na voz e musicalidade de Algacir.

(Celestino Menegheni, jornal O Nacional, 17.8.2021) 

     Eis uma causa meritória que deve unir a todos nós, que militamos pela área da cultura, especialmente a gaúcha e missioneira.

 

Publicado por Landro Oviedo
em 04/09/2021 às 12h51
Página 1 de 127
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 »
Eventuais recebimentos