"Como dois e dois são quatro/Sei que a vida vale a pena/Embora o pão seja caro/E a liberdade pequena" (Ferreira Gullar)
Meu Diário
21/09/2021 22h11
E OS JOVENS? ARTIGO QUESTIONA A AUSÊNCIA DELES NA VIDA DO PAÍS

     Em brilhante artigo publicado no Estadão (21.9.2021), o articulista Pedro Fernando Nery questiona por que os jovens estão ausentes das decisões efetivas dos destinos da nação. Isso me fez lembrar um trecho da obra de Somerset Maughan.

     Advertência: nunca leia Somerset Maughan como mero entretenimento e só faça isso com boa autoestima.

     "Ansiava [o jovem Philip] por aventuras e sentia-se ridículo por não ter ainda, na sua idade, experimentado aquilo que a ficção lhe ensinara ser a coisa mais importante da vida. Possuía, no entanto, o dom infeliz de ver tudo como na verdade era, e a realidade diferia terrivelmente do ideal dos seus sonhos.

     Não sabia como é vasto, árido e escarpado o país que o viajante da vida tem de atravessar para poder aceitar a realidade. É uma ilusão pensar que a mocidade seja feliz, uma ilusão daqueles que a perderam. Os jovens sabem que são miseráveis, pois alimentam falsos ideais que lhes foram incutidos e todas as vezes que entram em contato com o real sentem-se magoados e contundidos. Dir-se-ia serem vítimas de uma conspiração. Os livros que leem, livros ideais pela necessidade de seleção, e a conversa dos mais velhos, que olham para o passado através da nuvem rosada do esquecimento, preparam-nos para uma vida irreal. São obrigados a descobrir por si próprios que tudo o que leram e tudo o que lhes ensinaram é mentira, mentira, pura mentira. Cada nova descoberta é mais um prego que lhes fixa o corpo à cruz da vida. O estranho é que as próprias pessoas que sofreram esses amargos desenganos trabalham inconscientemente movidas por irresistível força íntima, para criar essa mesma atmosfera." ("Servidão Humana", cap. XIX)

 

 


Publicado por Landro Oviedo em 21/09/2021 às 22h11
 
04/09/2021 12h51
ACERVO DE ALGACIR COSTA

     Eu quero agradecer ao apoio recebido do jornalista Celestino Meneghini, de Passo Fundo, que atendeu à minha demanda e da cantora Clary Costa no sentido de intermediar a transferência do acervo do músico Algacir Costa, do célebre conjunto musical Os Fronteiriços, para aquela cidade, que é o berço do grupo. Isso atende a um desejo do artista, que era o de ter sua memória preservada na cidade que tanto amou e divulgou no país inteiro e além-fronteiras. As tratativas, conforme nota que reproduzo abaixo, já estão sendo feitas. Segue o texto.

Memoria Algacir
Passo Fundo está prestes a consagrar memória a um de seus grandes músicos. O filho de Algacir Costa, Yamandu, e sua família, que se transfere para a Europa como um dos grandes instrumentistas mundiais, mostrou interesse em legar a Passo Fundo o acervo de seu pai. Algacir, já falecido, foi voz inconfundível e líder do conjunto os Fronteiriços, que fez história musical e poética. O vereador Wilson Lili entrou em contato com a Secretária Miriê Tedesco, da Cultura, para acolher a ideia. No final dos anos 70 foram muitos os grandes momentos na voz e musicalidade de Algacir.

(Celestino Menegheni, jornal O Nacional, 17.8.2021) 

     Eis uma causa meritória que deve unir a todos nós, que militamos pela área da cultura, especialmente a gaúcha e missioneira.

 


Publicado por Landro Oviedo em 04/09/2021 às 12h51
 
21/08/2021 17h29
"SILÊNCIO! O AMOR ESTÁ FLORINDO" (CLAUDETE MORSCH PEREIRA SOARES)

     Um livro que canta o amor pleno é sempre uma dádiva. Recebo o livro "Silêncio! O amor está florindo", da poetisa Claudete Morsh Pereira Soares, em que ela fala desse sentimento que nos habita o coração em particular e o dos amantes em geral. São poemas com densa tessitura expressiva, com imagens e sinestesias encontradas no manejo criativo das palavras, transferindo ao leitor seu mundo interior por meio de versos que se aninham nas almas receptivas.
     Esta obra, desde sua concepção gráfica, inovadora e ousada, até seu conteúdo voltado ao amor, é um universo afetivo que se abre aos corações sensíveis. Recomendo a leitura porque sempre é tempo de valorizar esse liame subjetivo que nos faz mudar a alma de casa, como dizia Mario Quintana. Obrigado à Claudete e ao Darci Pereira Soares por nos possibilitarem este ensejo de desfrutar desta publicação singular e magnífica


Publicado por Landro Oviedo em 21/08/2021 às 17h29
 
19/08/2021 19h58
ESTÁTUA DE JOÃO CÂNDIDO - PEDIDO DE PROVIDÊNCIAS

     Nesta quinta-feira, 19 de agosto, fui dar uma verificada na situação da herma de João Cândido, de autoria do artista plástico Vasco Prado, instalada no Parque Marinha do Brasil, em Porto Alegre. A colocação desse monumento, feita há duas décadas na Capital, foi rodeada de polêmicas semelhantes às que cercaram a vida desse herói negro e popular durante toda sua existência. Pois bem, a situação da estátua está caótica, com abandono e deterioração, com as letras ilegíveis. Ela tem uma história bonita, da qual tive a honra de participar, como conto a seguir. Antes disso, quero solicitar a intervenção do vereador Matheus Gomes (PSOL) para que ele realize um pedido de providências à prefeitura para restauração do busto desse grande brasileiro, referência da luta do povo negro. Segue o depoimento do ex-vereador Lauro Hagemann contando a história de como conseguimos homenagear João Cândido e reabilitá-lo num logradouro que leva o nome da força reacionária que sempre o perseguiu, a Marinha Brasileira.

     "A questão do João Cândido é interessante. Nos almoços de que participávamos com partidários, vereadores e assessores da Câmara Municipal de Porto Alegre, sempre falávamos sobre a comemoração dos vinte anos da Anistia. O que tinha acontecido, o que não tinha, quais de nós tínhamos sido anistiados, quais não tínhamos. Lembrando os episódios nos demos conta que estava faltando gente a ser anistiada. Temos quatrocentos marinheiros que ainda reivindicam a anistia.
     Então, Landro Oviedo, professor de Literatura, que não é nosso partidário, mas ia muito ao meu gabinete para promover algumas coisas, sugeriu a ideia: 'Existe uma pessoa que na história brasileira que não foi anistiada nunca, não é de hoje, um tal de João Cândido, o herói da chibata. Quem sabe não fazemos um movimento?' Montamos uma campanha para a comemoração dos vinte anos da Anistia, junto com a campanha do João Cândido, do resgate de sua memória para homenageá-lo no dia 22 de novembro, que é o Dia da Revolta da Chibata. A minha proposta, aprovada dia 3 de dezembro de 1999, foi que 'o dia 22 de novembro seja lembrado em nossa cidade como 'Dia da Cidadania e de Luta pelos Direitos Humanos' em homenagem a João Cândido, o Almirante Negro. O projeto de lei também autorizou o Executivo Municipal a construir um monumento em homenagem ao marinheiro. Esse campanha que levantamos conseguiu sensibilizar e mobilizar os movimentos negros da cidade (...)."

     Fonte: Livro "João Cândido - A Revolta da Chibata" (Editora da Cidade, 3ª ed., Porto Alegre, 2010), de Paulo Ricardo de Moraes.


Publicado por Landro Oviedo em 19/08/2021 às 19h58
 
21/06/2021 00h13
LISTA CRESCENTE DAS TOLICES E FALCATRUAS DO GOVERNO BOLSONARO III

775 – DEPOIMENTO. O bolsonarista Luciano Hang, das Lojas Havan, convocado pela CPI da Covid, deve explicações sobre muitos pontos e não apenas sobre o atestado de óbito de sua mãe, com indícios de alteração duvidosa. Ele precisa esclarecer sobre sua participação no gabinete paralelo de Jair Bolsonaro de assessoramento na pandemia e também no patrocínio de blogues de divulgação de ameaças aos membros do STF, de incentivo ao tratamento precoce e de conteúdo anticonstitucional, com apoio do deputado federal Eduardo Bolsonaro, extrapolando o direito de livre expressão e ingressando na seara da apologia ao crime, como no caso do patrocinado Allan dos Santos.

774 – SILÊNCIO SUSPEITO. Nesta quinta-feira, 23.9.2021, a CPI da Covid ouviu, ou melhor, tentou ouvir Daniel Trento, diretor da empresa Precisa, envolvida num contrato superfaturado da vacina Covaxin produzida pela indiana Bharat Biotech. O valor era de 15 dólares a dose, totalizando R$ 1,6 bilhão, para 20 milhões de doses. O que ele fez foi permanecer em silêncio, mesmo diante de perguntas básicas como o endereço de suas atividades empresariais. Claro que a CPI já tem muitos elementos para indiciá-lo. Interessante é que ele é autor de um manual para fraudar licitações no Ministério da Saúde, uma obra que deve ter grande saída no governo de Jair Bolsonaro. 
 

773 – ENTREVISTA. Jair Bolsonaro concedeu uma entrevista a dois integrantes do movimento negacionista Querdenken, da extrema-direita alemã, Markus Haintz e Vicky Richter. Novamente, repetiu suas insanidades, como a de que houve notificações superestimadas de Covid-19, que muita gente morreu de outra doença e teve atestado de óbito com coronavírus e voltou a defender o tratamento precoce com remédios descartados pelas autoridades de saúde. Também reclamou das urnas eletrônicas, embora nunca se tenha provado nenhuma fraude. Como sempre, o presidente decadente repetiu aquilo que costuma falar para animar seu cercadinho.

772 – PRONTUÁRIOS. Durante a pandemia, Jair Bolsonaro insistiu com tratamentos precoces e ineficientes, como os realizados com cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina e outros. Foi aí que fez um acordo com a empresa Prevent Senior, da área da saúde, para que ela realizasse uma pesquisa que desse o resultado que o governo queria, atestando a eficácia desses remédios. Foi assim que a empresa fez uma pesquisa não autorizada oficialmente com mais de 630 pacientes e obteve os dados que Bolsonaro usou em uma publicação. Só que havia uma fraude em tudo isso. As pessoas eram internadas com coronavírus, tratadas com o kit Covid, esse coquetel de fármacos ineficazes e, depois de 14 ou 21 dias, os médicos do levantamento, sob ordem da direção bolsonarista da Prevent, trocavam o CID (Classificação Internacional de Doenças) e, quando a pessoa morriam, colocavam outra causa no atestado de óbito. Uma fraude e, provavelmente, um crime doloso, porque essas pessoas não tinham nenhuma chance de enfrentar a doença. Enquanto isso, Bolsonaro e seu estafe negacionista celebravam nas redes sociais o sucesso de um tratamento inidôneo ao mesmo tempo em que ele se negava a avançar nas negociações por vacinas com empresas sérias.

771 – REINCIDENTE NO CRIME. Jair Bolsonaro não se conformou com a derrota da medida provisória no Senado e no STF e mandou para o Congresso, na segunda-feira, 20.9.2021, um projeto de lei com as mesmas medidas que dificultam a remoção de conteúdos ilícitos e exclusão de contas e perfis de redes sociais, ainda que envolvam disseminação de informações falsas ou desinformação, conhecidas como fake news. Bolsonaro não é um presidente conservador. Na verdade, ele está disposto a destruir tudo o que estiver no seu caminho para atingir a tão necessária impunidade para si e para sua família, evitando assim o julgamento por seus delitos, tanto em nível nacional quanto no Tribunal Penal Internacional (TPI).

770 – PRESENTE DE GREGO. A comitiva de Jair Bolsonaro levou um presente de grego para os norte-americanos. Pelo menos dois integrantes foram constatados com Covid-19, sendo que um é o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Sem falar em Jair Bolsonaro, que se recusa a informar sua real condição de saúde, se se vacinou ou não, quantas vezes foi infectado, se tem realizado testes periodicamente. Também é importante lembrar que Bolsonaro nunca quis fornecer o número de assessores vitimados pelo coronavírus no Planalto do Planalto. Agora, a Anvisa está recomendando que todos os que fizeram parte da delegação que foi aos EUA fique em quarentena de 14 dias. Alguém imagina que o presidente fará isso? Ele é um vetor da pandemia e até faz a disseminação com uma indiferença cruel. Tudo indica que o cavalo de Troia não voltou vazio.

769 – OBRAS NO EXTERIOR. Um mantra que está sempre na boca dos bolsonaristas é o financiamento de obras por parte do BNDES no exterior, como em 15 países da África e na América Latina, como Venezuela, Cuba, Argentina, Angola e Moçambique. Alegam que houve muitos calotes e acusam que os valores não pagos foram custeados pelos crimes públicos. Não é verdade. O banco desembolsou 10,49 bilhões de dólares e recebeu 12,455 bilhões de dólares, sendo que ainda há 1,29 bilhão de dólares a ser adimplido. Eventuais diferenças ficam a cargo do sistema garantidor, ou seja, têm seguro. Essa foi outra mentira de Jair Bolsonaro contada na Assembleia Geral da ONU. 

768 – MENTIRAS NA ONU. A participação de Jair Bolsonaro na abertura da Assembleia Geral da ONU foi constrangedora. Mentiu do início ao fim. Entre outras coisas, culpou prefeitos e governadores pela crise econômica, defendeu o tratamento precoce, disse que seu governo instituiu um auxílio emergencial (na verdade, ele era contra), informou falsamente que dobrou o orçamento para a fiscalização ambiental, falou em milhões na rua no sete de setembro (foram apenas milhares), citou uma preservação inexistente de áreas nativas, entre outras inverdades. O país passou vergonha em nível internacional.

P.S.: Disse que não há corrupção em seu governo.

767 – BARRADOS. Jair Bolsonaro foi a Nova Iorque com uma comitiva onerosa para participar da Assembleia Geral da ONU. Ocorre que ele não está vacinado e o protocolo para circular pela cidade exige vacinação e medidas sanitárias, tudo o que ele se recusa a cumprir no Brasil. Foi assim que eles tiveram de patrocinar o vexame internacional de ter que comer na rua, pois foram barrados e não puderam entrar nos restaurantes. E ainda levaram de presente um infectado para os norte-americanos. Por outro lado, Bolsonaro está tendo muito destaque na imprensa internacional, mas as notícias não são nada animadoras. É mais ou menos como aquele corno de bairro, do qual todo mundo fala, que fica famoso, mas com um destaque que não garante uma eleição de vereador.

766 – PIOR QUE O CÂNCER. O Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), órgão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), do governo federal, suspendeu, por tempo indeterminado, a produção de insumos para tratamento de câncer e já estão faltando remédios para os pacientes. Tudo porque o governo de Jair Bolsonaro cortou 46% da verba do órgão em 2021, faltando R$ 89,7 milhões para dar continuidade aos serviços. Engraçado, as emendas eleitoreiras de relator na Câmara tiveram R$ 16,2 bilhões, eu disse bilhões, no orçamento para 2022. E Bolsonaro tem o desplante de cortar menos de R$ 100 milhões para a saúde pública. Trata-se do mesmo sadismo bolsonarista na pandemia, quando o Capitão Cloroquina fez piada da situação das vítimas da Covid-19.  

765 – PAULO FREIRE. O pedagogo Paulo Freire é uma das maiores autoridades em educação do mundo. Seu método de ensino pressupõe uma valorização do contexto social em que o aprendizado se realiza como forma de elevar o senso crítico do educando para que ele compreenda a sociedade em que está inserido e se aproprie das ferramentas para transformá-la para melhor. Isso está presente, por exemplo, no ato da alfabetização e continua nas demais etapas. Pois agora, o governo Bolsonaro, que só boicota o ensino e já escolheu três ministros incompetentes para o cargo (o atual diz que o povão não deve fazer faculdade), resolveu eleger Paulo Freire como seu inimigo e responsável pelo caos no setor justamente no ano do centenário do eminente professor. Como sempre, Bolsonaro tem que achar um culpado pela sua própria incompetência no cotidiano e foi buscar na história um maligno imaginário, sem nenhum nexo causal com a realidade. Na verdade, a contribuição de Paulo Freire para a educação brasileira é inversamente proporcional à de Bolsonaro e de sua família organizada, que, em mais de três décadas de mandatos, nunca apresentaram sequer um projeto em favor da educação. Nenhum. E no atual mandato de presidente, Bolsonaro continuou com a mesma ênfase de sempre, ou seja, não fazendo nada. Para os bolsonaristas, bom mesmo é Olavo de Carvalho. O mundo reverencia a obra de Paulo Freire enquanto Bolsonaro será lembrado, quiçá condenado, pelos seus crimes contra a humanidade.

764 – PELOS FUNDOS. Diante de uma manifestação contra seu governo em Nova Iorque (19.9.2021), Jair Bolsonaro teve que entrar pela porta dos fundos do Hotel Intercontinental Barclay. Ele está nos EUA para participar da assembleia geral da ONU. Desta vez, não houve manifestantes a favor, o que é bem sintomático do seu desgaste em termos de popularidade. Tudo indica que ele vai afrontar os demais dirigentes mundiais ao orgulhar-se de não ter se vacinado. Pobre Brasil, vai ficar ainda mais isolado e motivo de chacota em nível internacional.

763 – IMPEDIMENTO OU MORTES. De acordo com o Datafolha, 56% dos brasileiros são a favor do impeachment de Jair Bolsonaro, com 41% contrários e 3% que não souberam opinar. Isso indica, até o momento (19.9.2021), a maior rejeição ao seu governo. É sabido e consabido que o apoio ao impedimento é crescente e majoritário, embora não tenha havido ainda atos massivos de rua, isso porque os segmentos de oposição ainda observam as normas sanitárias na pandemia, coisa que os apoiadores de Bolsonaro se recusam a fazer. Mesmo assim, o presidente bolsonarista da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) se recusa a colocar os mais de 130 pedidos de impeachment em votação. Ocorre que isso atende ao interesse do governo e também do PT, que quer sangrar Bolsonaro para derrotá-lo como candidato combalido nas urnas. Todavia, o que Lira e o próprio PT não consideram é que isso poderá ter um custo alto para o país, inclusive em termos de vidas. Bolsonaro tem um discurso de fraudes contra as urnas e então vai mobilizar seus seguidores contra um resultado adverso, podendo causar tumultos e atentados, o que é bem provável, uma vez que ele já garantiu o acesso às armas para sua escumalha exatamente para que ela vá às ruas ensandecida e inflamada por suas denúncias criminosas e sem sentido. Se isso acontecer, a culpa será de Lira, que se recusou a colocar o impeachment para deliberação na Câmara, e também de Lula e do PT, que preferem um Bolsonaro fraco nas urnas, só que, e este é o perigo, muito mais delinquente, irresponsável e insano, até porque não terá mais nada a perder diante da iminência da condenação por seus variados crimes no exercício da Presidência. O custo mais baixo para a nação parece ser votar agora o seu afastamento. No ano que vem, as perdas podem ser muito maiores.

762 – IOF. "Ninguém aguenta pagar mais imposto", afirmou Jair Bolsonaro em agosto de 2020. No entanto, ele acaba de aumentar o Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários (IOF). Isso além de contrariar seu discurso de campanha, também agrava a situação dos endividados num país com 71 milhões nessa condição. Quem tomar um empréstimo, usar cheque especial ou entrar no rotativo do cartão de crédito já estará pagando mais caro e se afundando na inadimplência. Sem falar que muito disso será repassado aos consumidores finais, encarecendo produtos e serviços. 

761 – SUSPENSÃO CRIMINOSA. Pressionado por Jair Bolsonaro, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, suspendeu a vacinação contra a Covid-19 em adolescentes que não tenham comorbidades nem estejam privados de liberdade. Tudo indica que as causas disso são a oposição do governo à ciência e a falta de vacinas. A suspensão da imunização contraria recomendação da Anvisa e da Organização Mundial da Saúde (OMS). Bolsonaro parece não estar contente com os quase 590 mil óbitos e com os 2 mil adolescentes mortos fruto de sua omissão criminosa. E a pandemia continua fazendo vítimas, apesar do avanço da imunização, num montante que equivale à queda de dois aviões de passageiros por dia. Imaginem se o país estivesse à mercê da inércia bolsonarista da imunidade de rebanho, ou seja, mandando todo mundo às ruas para um encontro fatal com o coronavírus.

760 – GASOLINA. Vejo os bolsonaristas, em relação à gasolina, fazendo o que sempre fazem em relação a tudo: deturpação dos fatos. Que tal usar como fonte a própria Petrobras? A composição do valor tem o inicial da empresa, Cide e PIS e COFINS (tributação federal) e o custo do etanol anidro, totalizando 61,8% do valor final, sendo complementado por ICMS (27,6%) e distribuição e revenda (10,6%). Repetindo: 61,8%. A mentira virou nota oficial no governo Bolsonaro. Segue o linque:

https://petrobras.com.br/pt/nossas-atividades/precos-de-venda-de-combustiveis/?fbclid=IwAR3TT9B7CPMpaSSlTj5NuKIg5trvsldeh3YRVyHwQANfjCZEO2zObBVqmR4

759 – DUPLA DERROTA. Pela inconstitucionalidade e por não atender aos requisitos da urgência e da relevância, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, devolveu ao Executivo a Medida Provisória (MP) 1068/2021, que limitava a remoção de conteúdos ilícitos publicados nas redes sociais. Também a ministra Rosa Weber, do STF, concedeu liminar para suspender essa MP. Bolsonaro está isolado e não parece saber disso. Claro que os bolsonaristas não vão avisá-lo de sua verdadeira situação, até porque, em seus delírios, pensam que o sete de setembro foi gigante.

758 – DELITOS DE BOLSONARO. Uma comissão de juristas coordenada pelo advogado Miguel Reale, a título de subsídio, está entregando ao relator da CPI da Covid, Renan Calheiros, um estudo sobre os principais crimes passíveis de serem imputados a Jair Bolsonaro na gestão da pandemia e que podem constar no relatório do parlamentar. Entre eles, estão crime de responsabilidade pela violação de garantias individuais, crime de epidemia, crime de infração de medida sanitária preventiva, charlatanismo, incitação ao crime, prevaricação e crimes contra a humanidade. Um rol que é um verdadeiro horror.

757 – CHACOTA. Os bolsonaristas e o próprio Jair Bolsonaro viraram motivos de chacota. Primeiro, foi o tal do sete de setembro gigante que gorou. Depois, a viralização nas redes sociais dos apoiadores do governo emocionados comemorando o Estado de Sítio que não houve. Teve ainda o áudio de Marcelo Adnet fazendo troça dos caminhoneiros. Para piorar, o ghostvamper de Bolsonaro, Michel Temer, participou de um jantar em que um humorista fez uma performance ridicularizando e ironizando o Capitão Cloroquina. Desgraça pouca é bobagem. Ah, e tudo indica que Zé Trovão, líder dos caminhoneiros, não tem habilitação para dirigir caminhões. Esse governo e seus asseclas são uma fraude completa.

756 – EX-FILIAIS. Os integrantes do governo se regozijaram que os atos contra Jair Bolsonaro organizados pelo MBL, Vem pra Rua e Livres foram esvaziados. Essa gente realmente não bate bem da bola. Esse pessoal que passou para a oposição fez parte da campanha bolsonarista e teve um papel importante na eleição de Bolsonaro. Ou seja, essa gente comemora até defecções. Isso só mostra o isolamento crescente do bolsonarismo.

755 – LUNÁTICOS. É de causar espécie as reações do foragido Zé Trovão e do blogueiro Oswaldo Eustáquio à decisão do ministro Edson Fachin, do STF, que negou o habeas corpus para Trovão. Fachin alegou que um integrante da Corte não pode dar o "remédio heroico" para alguém que tem ordem de prisão (que Trovão chama de "mandato de prisão") emitida por um outro colega. Pois bem, diante da negativa, eles chegaram a comemorar, assumindo a lógica do julgador, e afirmaram que não houve derrota, que o habeas será apreciado por... Alexandre de Moraes, o mesmo que foi ofendido pelo caminhoneiro. A vida é assim: onde o bom senso enxerga problemas, alguns enxergam oportunidades. Vá entender.

754 – IRONIA. Com cerca de 15 milhões de desempregados e muitos outros milhões e milhões de desalentados, Jair Bolsonaro lança um programa de educação financeira, sob coordenação do MEC, para estudantes. Ora, com as famílias passando fome, tendo que comprar ossos para a sopa, com o botijão de gás com o preço nas alturas, nem há orçamento para administrar. Esse programa é um acinte contra os pobres.

753 – INCORRIGÍVEL. Horas depois de ter publicado uma nota de aventado recuo em suas posições anticonstitucionais e golpistas, Jair Bolsonaro já demonstrava que seu caráter não permite qualquer transigência em suas teses e posturas. Numa live na quinta-feira, 9.9.2021, ele voltou a atacar a imprensa e, o que é pior, a se dirigir ao ministro Luís Roberto Barroso, do STF, de forma pejorativa e com falas de duplo sentido. Desse jeito, ele nem agrada ao gado raivoso nem consegue incutir confiança naqueles que até querem mantê-lo no poder, mas não a qualquer custo.

752 – CARTA. Nada como ter um governo que se diz independente na teoria, mas que é um trapalhão na prática: a declaração de Jair Bolsonaro em tom de desculpa à nação depois de ter agredido verbalmente o ministro Alexandre de Moraes foi redigida por Michel Temer. É isso que dá não ter se dar bem com a lógica, ter um vocabulário reduzido de cerca de 500 palavras e um raciocínio tortuoso. Precisa de uma pena de aluguel, terceirizando a tarefa da escrita. Aliás, Bolsonaro já terceirizou outras coisas também.

751 – PATACOADA. Como constitucionalista, Jair Bolsonaro é um excelente miliciano. Blefou no ato de 7.9.2021 dizendo que convocaria o Conselho da República e que essa instância inclui o presidente do STF, Luiz Fux, o que não é verdade. Mostra que nem sabia do que estava falando. Acabou convocando apenas os ministros do seu governo num tipo de reunião que, como se sabe, tem um histórico nada recomendável, a julgar pelas intervenções insanas do ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, e Ricardo Salles, do Meio Ambiente, aquele da boiada e do contrabando ambiental. Aliás, essa sessão de 22.4.2020 passou para a história como um dos episódios mais constrangedores de uma República que entrou em apuros com o advento de um governo golpista e voltado ao acobertamento dos crimes de uma família criminosa. 

750 – RACHADINHA DA BOA. Marcelo Luiz Nogueira dos Santos, ex-assessor da família Bolsonaro, deu entrevista ao portal Metrópoles em que revela que, inicialmente, a rachadinha no gabinete do então deputado estadual fluminense Flávio Bolsonaro e do vereador carioca Carlos Bolsonaro era controlado pela esposa de Jair Bolsonaro na época, a advogada Ana Cristina Valle. Ele mesmo foi incluído no sistema dos funcionários fantasmas e tinha que devolver cerca de 80% do seu salário durante os 14 anos em que trabalhou para o clã, o que ocorreu a partir de 2003. A operadora do direito e do esquema foi substituída quando Bolsonaro descobriu que tinha um sócio oculto nas atenções da sua mulher, um bombeiro da sua escolta que passou a escoltar demais seu cônjuge, e então ele passou para os filhos diretamente a função de arrecadar os valores. Foi aí que se abriu um espaço para que Fabrício Queiroz viesse a atuar nessa função de operador financeiro da família organizada.

749 – O CORNO E SEU TRANSTORNO. Jair Bolsonaro e sua horda não dão folga ao país nem em feriado. Neste 7 de setembro de 2021, foram às ruas para defender pautas criminosas e cometer delitos. Em seus discursos em Brasília e em São Paulo, Bolsonaro cometeu crime de responsabilidade ao atacar o Judiciário, seus ministros e ao dizer que vai descumprir ordem judicial. O simples ato de afirmar já é ilícito, porque vai contra a dignidade da Justiça, tudo previsto no artigo 85 da Constituição federal, além da incidência das modalidades de crimes contra a honra. Há severos indícios de que o corno mais famoso do país está vivendo um profundo transtorno psicológico e psiquiátrico diante da possibilidade de vir a ser processado e punido por todos os seus malfeitos, que envolvem peculato, contrabando, funcionários fantasmas, notas frias, diárias superfaturadas, fraudes no cartão corporativo, lavagem de dinheiro e negociatas em vacinas. Em seus delírios, reuniu sua escumalha igualmente sociopata para investir contra as instituições que o impedem de levar o país para o caos golpista de uma ditadura criminosa e miliciana, apta a conquistar a tão desejada impunidade para si, para sua família e para seus cúmplices. Felizmente, o que se viu é que o sacripanta está isolado e só se comunica com o bolsão dos seus tresloucados seguidores, numa retroalimentação entre o bolha e a bolha. Agora, cabe ao Judiciário e ao Congresso Nacional, a par com outras instituições que são de Estado e não de governo, retirar do poder esse projeto de ditador e julgá-lo pelos danos causados à população, principalmente na pandemia, com recorde de mortos e de infectados pelo boicote aos imunizantes e às medidas sanitárias. Nunca o impeachment esteve tão bem posto na ordem do dia e nem mesmo seu fiel escudeiro, Arthur Lira, presidente da Câmara, deverá ter a força necessária para salvar seu malvado favorito.

748 – DERROCADA. Com base nas observações que costumo fazer nas redes sociais, a mim me afigura que este 7 de setembro de 2021 assinala a derrocada de Jair Bolsonaro nessas plataformas. Ficou tão evidente seu discurso golpista, sua pauta antidemocrática e seu interesse em proteger a si e a sua família mediante o uso da máquina pública diante das acusações de crimes diversos, que milhões de seus eleitores o abandonaram, decepcionados com suas insanidades. Os que continuam na sua bolha não são suficientes para lhe dar sustentação e é por isso que ele radicaliza o discurso, buscando um contencioso civil e militar que possa livrá-lo das penas da lei e da cadeia. Observando os comentários, vejo que a maioria deles é contrária ao governo e, a seu favor, os mais caninos, alguns robôs pagos para impulsionar notícias falsas e gente ressentida que expia sua raiva com o mundo na catarse bolsonarista.

747 – DISCURSO CÍNICO. Em seu discurso golpista e recheado de mentiras, na Esplanada do Ministérios, neste 7 de setembro, durante manifestação esvaziada, Jair Bolsonaro afirmou que existem presos políticos no Brasil, os seus apoiadores, por ordem do ministro Alexandre de Moraes (STF). Não, não são presos políticos. São bandidos, que fazem ameaças de homicídio ou de estupro, entre outros delitos, e devem continuar fechados à espera da companhia de Bolsonaro.

746 – ACORDO CRIMINOSO. A cúpula do Exército nos anos 80 fez um acordo para salvar o medíocre tenente que queria explodir os quartéis. Ele pedia baixa e eles reverteriam a condenação de primeira instância, apesar da farta documentação, depoimentos e laudos, aposentando-se como capitão. Ele ficou livre para concorrer a vereador e assim começar sua carreira de sanguessuga dos cofres públicos. Evoluiu bastante a ponto de se tornar o grande líder de uma família organizada envolvida com peculato, contrabando, funcionários fantasmas, notas frias, diárias superfaturadas, fraudes no cartão corporativo, lavagem de dinheiro e ladroagens em vacinas. Escapou da prisão no passado porque seus delitos foram acobertados, mas agora já não poderá fazer isso e a cadeia, seja pela legislação interna, seja pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), por certo será o seu destino diante dos crimes imprescritíveis e inafiançáveis que cometeu. É por isso que ele tenta dar o golpe, mas sua perda de popularidade só o deixou com os bolsões bolsonaristas que mais ladram que metem medo.
https://www.extraclasse.org.br/.../grande-farsa-absolveu.../

745 – MEDIDA CRIMINOSA. O presidente Jair Bolsonaro emitiu uma medida provisória notadamente inconstitucional alterando o Marco Civil da Internet com a finalidade de dificultar a remoção de perfis criminosos, de conteúdos ilícitos e de discursos de ódio das redes sociais. O sonho de todo delinquente é legislar em causa própria. Esse é o objetivo de Bolsonaro. Não vai levar.

744 – AVALIAÇÃO EXTERNA. De acordo com uma avaliação do pesquisador José Caballero, do IMD da Suíça, desde 2019 vem ficando claro uma queda da imagem do Brasil no exterior, na percepção dos executivos, provavelmente por questões de fraqueza nas instituições, enorme burocracia, corrupção, falta de transparência e preocupação com o Estado de Direito. Pois é, não foi nenhum perigoso comunista apreciador de criancinhas que falou isso, mas um executivo de uma consultoria especializada em assessorar grandes capitalistas do mundo inteiro. A corrupção é notícia que chega longe.
 

743 – CHIFRE IMPRESSO. Numa iniciativa que demonstra a mais recente designação que lhe é atribuída, Jair Bolsonaro foi recepcionado com a inscrição "Fora, Corno" em Santa Cruz do Capibaribe (PE). Trata-se de um chifre impresso e auditável. Veja mais clicando abaixo.

https://br.noticias.yahoo.com/bolsonaro-e-recebido-com-fora-corno-em-pernambuco-203449799.html

742 – PROVOCAÇÃO. Um bolsonarista de nome Márcio Giovani Nique, vulgo Professor Marcinho, também está atrás dos seus minutos de fama atrás das grades. Divulgou um vídeo em que alega saber de um grande empresário que teria oferecido muito dinheiro para alguém que elimine o ministro Alexandre de Moraes. E aduziu que nada o fará revelar o nome do suposto mandante. É preciso que a Polícia Federal vá atrás desse criminoso para apurar essa história e colocar os delinquentes envolvidos na cadeia.

741 – PRÓ-RICOS. Jair Bolsonaro, como  bom boçal dos ricos, é contra a regulamentação da taxação das grandes fortunas, prevista na Constituição. Ou seja, nem dá para dizer que a proposta é coisa de comunista. Aliás, as elites brasileiras já transformaram o texto constitucional num lençol de retalhos, mas só para normas que interessam pra eles. Um exemplo é a alteração constitucional do senador Houveram (Luis Carlos Heinze-RS) diminuindo o prazo para os trabalhadores rurais reinvindicarem seus direitos trabalhistas. Outro é a reforma da Previdência. No Brasil, seis pessoas têm a renda de cem milhões e é essa indecência social que Bolsonaro quer manter.

740 – CAMINHONEIROS. Os bolsonaristas estão tentando vender um terror nas redes sociais e afirmam que contam com o apoio dos caminhoneiros. Ocorre que nenhuma das entidades da categoria apoia o tal 7 de setembro. Pelo contrário, sabem que seus patrões querem usá-los para conseguir suas pautas no Congresso e no STF. Aliás, seriam idiotas se fossem para as as ruas apoiar um governo que coloca o valor dos combustíveis nas alturas. 

739 – SUPERFATURAMENTO. O governo de Jair Bolsonaro pagou  R$ 8,65 reais por unidade de máscara facial imprópria para o uso de profissionais de saúde. Em compras anteriores, foram adquiridas máscaras tipo PFF2, uma das mais eficientes para proteger contra a Covid-19, por R$ 3,59, com um superfaturamento de 141%. No total, foram gastos no contrato mais de R$ 340 milhões. Desvios de verbas públicas, peculato, negociatas, favorecimentos, propina e corrupção têm sido a tônica no governo da família organizada.

738 – REBELDIA. Uma cerimônia de formatura de novos diplomatas foi realizada sem a presença de Jair Bolsonaro e fechada ao público porque os formandos decidiram homenagear o diplomata José Jobim (1909-1979), morto e torturado pela ditadura militar porque divulgara que estava pensando em escrever um livro com revelações sobre a corrupção nas obras da Usina Hidrelétrica de Itaipu. Parabéns pela coragem desses novos servidores de carreira, que mostram que o país pode sair do atraso na diplomacia mundial em que o governo Bolsonaro o colocou. O passado pode ser negado, mas não pode ser erradicado. Os passivos da ditadura militar estão aí para servirem de alerta para todos.

737 – BANDEIRA EXTRA. O governo de Jair Bolsonaro está aprofundando a bandeira vermelha e criando uma bandeira extra no valor de R$ 14,20. Diante de sua incompetência para gerir a crise hídrica e com a omissão perante o desmatamento que altera o fluxo das chuvas, optou pelo caminho mais fácil para ele e mais caro para os consumidores. Os bolsonaristas ganharam um motivo a mais para comemorar no dia 7 de setembro, o maior aumento nas contas de luz, que "vai ser gigante". Vem junto um certificado de otário.

736 – CARESTIA NA CASERNA. O Exército Brasileiro divulgou nota na qual admite que está faltando comida nos quartéis. De acordo com a instituição, "a inflação e a pandemia levaram ao desabastecimento de alimentos em quartéis da Força em Brasília. Falta óleo de cozinha, enquanto arroz e feijão devem acabar em dois dias. Para evitar que os soldados fiquem sem refeições, o Comando Militar do Planalto cogita exigir apenas meio expediente de trabalho".  A publicação é do jornal Metrópoles. Isso mostra que Jair Bolsonaro, que tem um cartão corporativo ilimitado e come picanha a R$ 1.800 o quilo, não está nada preocupado com a real situação da tropa. Só quer que ela faça figuração nos seus delírios golpistas.

735 – CRITICADO. Jair Bolsonaro está desagradando até mesmo aos grandes capitalistas do país.  Entidades representantes da indústria e da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) estão articulando um manifesto no qual pedem diálogo e expressam textualmente: "O momento exige de todos serenidade, diálogo, pacificação política, estabilidade institucional e, sobretudo, foco em ações e medidas urgentes e necessárias para que o Brasil supere a pandemia, volte a crescer, a gerar empregos e assim possa reduzir as carências sociais que atingem amplos segmentos da população". Bolsonaro não gostou porque, mesmo com diplomacia, viu que o grande PIB do país está insatisfeito com seu governo, assim como os pobres. Como retaliação, ameaçou retirar BB e CEF da associação dos bancos. O fato é que seu governo é um rotundo fracasso e só serve para defender sua família organizada.

734 – CONTA DE LUZ. Diante da sua incompetência para gerir a crise hídrica, que está levando o preço da conta de luz às alturas e colocando a bandeira vermelha para todos, inclusive, para quem sempre defendeu que sua bandeira nunca seria vermelha (às vezes também é laranja), o que faz Jair Bolsonaro? Manda a população desligar um bico de luz. Nada como um gestor com soluções estratégicas.

733 – "EGIGENTE". O presidiário bolsonarista Roberto Jefferson escreveu uma carta à mão neste domingo, 29.8.2021, afirmando que não aceita ser transferido da cadeia para prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. Que bom, a gente nem queria soltá-lo mesmo. Pelo jeito, vai continuar fechado com Bolsonaro.

732 – CARLUXO. O que era apenas uma suspeita, vai ganhando ares de realidade. A revista Veja confirmou que Jair Bolsonaro pediu o impeachment do ministro Alexandre de Moraes e armou toda a confusão porque recebeu uma informação da Polícia Federal de que Carlos Bolsonaro, o mentor do gabinete de noticias falsas, seria preso logo após Roberto Jefferson. A família organizada, para ele, está acima de tudo e de todos.

731 – ICMS. Os bolsonaristas estão divulgando uma notícia falsa de que a gasolina está cara por causa do ICMS dos estados. Trata-se de mentir para esconder a realidade. Esse é um tributo que não é parafiscal e, portanto, não pode ser alterado por decreto, apenas por lei. E, na verdade, o percentual é o mesmo há anos. O que aumentou foi o preço do produto, tanto pelo dólar, atrelamento em prol dos acionistas, quanto pela má gestão da Petrobrás, que se desfez de ativos e agora está pagando mais caro pelos mesmos serviços de antes, como no caso de subsidiárias e gasodutos (Lembram a privatização da Liquigás e a promessa de Paulo Guedes de baixar o preço do botijão de gás?). Jair Bolsonaro, como sempre, como péssimo gestor que é, busca transferir responsabilidades. Quer que os estados arquem com sua incompetência. Sobre a tabela do IR, que aí sim lhe cabe e continua desatualizada, consumindo os salários dos mais pobres, ele não faz nada.

730 – FEIJÃO. Em declaração no cercadinho no Palácio do Planalto para seu gado particular, Jair Bolsonaro declarou que quem quer comprar feijão é idiota e aconselhou a comprar fuzil. Como sempre, ele chama de idiota quem discorda de suas falas criminosas e delituosas. Decerto, espertos são os que o apoiam, como os motoqueiros, que fazem motociatas em seu favor, com gasolina a R$ 7. Ou os que não se vacinaram e transmitiram a doença, morreram e ficaram com sequelas. Bolsonaro conta com a idiotia alheia para garantir a própria impunidade.

729 – CHORORÔ. Depois da recusa do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (Dem-MG), de receber o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, Jair Bolsonaro deu declarações com ar choroso. Alegou que sua demanda teve tratamento diferenciado de quando o ministro Luis Roberto Barroso determinou que fosse instalada a CPI da Covid e ele o fez. Isso porque, desta vez, Pacheco acolheu os argumentos da Advocacia-Geral do Senado. Ora, Bolsonaro não sabe sequer a diferença entre ordem judicial e parecer jurídico. Ordem judicial se cumpre, parecer jurídico se acata ou não. Pacheco não tinha a opção de aceitar ou não o comando do STF. Mas seria difícil para um miliciano concordar com isso. 

728 – PERGUNTA CRUEL. Os pobres de direita já podem se inscrever para responder à pergunta do ministro Paulo Guedes: “Qual o problema agora que a energia vai ficar um pouco mais cara porque choveu menos?”. Para ele, nenhum problema. Para Jair Bolsonaro também não. E para o povo?

727 – RECONDUÇÃO. Augusto Aras, poste-geral da República, foi reconduzido ao cargo de vassalo-mor de Jair Bolsonaro com os votos dos bolsonaristas e dos petistas, aliança que já vem se ensaiando há muito tempo e que sela um pacto pela impunidade, como ocorreu no afrouxamento da Lei de Improbidade Administrativa. Se o Ministério Público Federal (MPF) é o titular da ação penal, e Aras é o chefe do MPF, isso significa que não haverá ação penal contra os crimes de Bolsonaro. Tudo indica que a CPI da Covid-19 vai entregar seu relatório para nada. Não é de hoje que petistas e bolsonaristas brigam por privilégios, mas se unem para garantir a impunidade pela prática de delitos contra o patrimônio público. 

726 – SETE DE SETEMBRO. Os bolsonaristas estão anunciando um ato a favor do governo do Capitão Cloroquina. O Brasil é um país surreal. Traficante cheira, cafetão se apaixona e governo que já é governo faz ato para governar e não governa. A escumalha esculhambou a lógica.

725 – LOBISTA. Uma apuração da Folha de São Paulo indicou que o senador Houveram (Luis Carlos Heinze - PP-RS), grande defensor da Cloroquina, fez lobby para que empresas do ramo veterinário passassem a produzir vacinas. Além disso, ainda fez contato com Precisa, aquela que nunca produziu nenhuma dose, para que ela também integrasse esse complexo junto com os laboratórios Boehringer Ingelheim Brasil, Ourofino Saúde Animal e Ceva Saúde Animal. Uma vergonha saber que esse senhor ajudava a desdenhar dos fornecedores idôneos e negociava com gente que poderia lhe oferecer propina ou negócios de ocasião, ainda que não tivesse expertise de vacinas.

724 – RECLAMAÇÃO. A subprocuradora da República, Lindôra Araújo, está sendo alvo de reclamação no Conselho Nacional do Ministério Público por escusar Jair Bolsonaro de usar máscara na pandemia. Ela tem dois pesos e duas medidas, pois no caso do desembargador Eduardo Siqueira, do TJ de São Paulo, fez uma representação contra o infrator, alegando "veementes indícios de autoria e materialidade". Esse pessoal bolsonarista não se importa com coerência ou com leis quando se trata de defender seu mito miliciano.

723 – SEM MÁSCARA. Jair Bolsonaro foi multado pela sexta vez em São Paulo, desta vez na cidade de Ribeira, por não usar máscara em lugares públicos. O valor, com base em legislação federal, pode chegar a R$ 4,5 milhões. Isso só mostra o desrespeito desse senhor pela saúde da população. Não é difícil imaginar a mortandade que teríamos se seu entendimento de imunidade de rebanho tivesse prevalecido. Um exemplo de sua indiferença é aquele vídeo em que imita um doente, debochando: "Ai, estou com Covid!".

722 – ESPERNEANDO. Em causa própria, de sua família e de seus asseclas, Jair Bolsonaro ingressou no Supremo Tribunal Federal (STF) com uma ação para que a corte não possa abrir inquérito de ofício. Ora, se qualquer um do povo pode prender alguém em flagrante delito, por que, na mesma situação, não poderia o STF abrir um inquérito com base no seu regimento interno, de elaboração constitucionalmente autorizada? Se qualquer cidadão pode o mais, por que o Supremo poderia menos? Ainda mais com um PGR como Augusto Aras, que é um capataz bolsonarista no órgão que deveria ser o fiscal da lei, mas que é omisso diante das falcatruas de Bolsonaro e seu governo. O gado berra e a mangueira vai abrindo as porteiras para bem acolhê-lo.

721 – ORAÇÕES. Tudo indica que Jair Bolsonaro encontrou um jeito maçante de se vingar do STF. O seu indicado e terrivelmente evangélico para a corte, André Mendonça, terá a missão de abrir as sessões com uma oração, impondo o rito religioso aos demais ministros. Embora no Brasil, constitucionalmente haja a separação entre igreja e Estado, os religiosos, notadamente os evangélicos, gostam de se imiscuir nos negócios públicos para ganhar dinheiro fácil. E não basta financiar: eles gostam de ver todo mundo pagando e rezando. Haja saco! O risco é suas excelências renunciarem pela chatice de Mendonça e assim abrirem mais vagas para as indicações de Bolsonaro. Esse Mendonça é o mesmo que chorou copiosamente numa cerimônia em que o Capitão Cloroquina confirmou que o indicaria, num dramalhão digno de ser sonorizado por Sérgio Reis.

720 – MÁSCARAS. O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anda colocando rolhas em lugares frágeis. Tudo porque ele não quer desagradar a Jair Bolsonaro e seus desarvorados apoiadores e, ao mesmo tempo, não quer ser tachado como embusteiro. Assim, ele vai à CPI da Covid e diz que é a favor da obrigatoriedade do uso de máscaras como medida sanitária. Chegou a dizer que tal uso é tão importante como a vacina. De outra banda, deu uma entrevista a um portal bolsonarista dizendo que é contra a medida. "Quem é você que não sabe o que diz? / Meu Deus do Céu, que palpite infeliz!", já diria Noel Rosa.

719 – INAUGURAÇÃO. Nesta quarta-feira (18.8.2021), Jair Bolsonaro, com uma comitiva que incluiu os pastores lambe-botas Marco Feliciano e Silas Malafaia, inaugurou um conjunto habitacional em Manaus, obra do prefeito David Almeida (Avante). Só que o complexo, que conta com verbas federais, já tem unidades destinadas a familiares do mandatário, que não cumprem os requisitos para a contemplação, mostrando que a direção bolsonarista da CEF não está zelando pelos recursos públicos. Quanto à comitiva, de  novo a conta fica para o contribuinte, a exemplo de uma inauguração de uma ponte em maio, em São Gabriel da Cachoeira (AM), quando os gastos de deslocamentos para essa inauguração foram três vezes maiores do que o valor da própria obra.

718 – BLOGUEIRO. A valentia dos bolsonaristas tem densidade limitada. Depois de ser denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) por ameaças ao ministro Luís Roberto Barroso, do STF, o blogueiro Allan dos Santos afirmou que não fez o que está amplamente documentado. Essa gente tem uma vergonhosa valentia virtual que se desvanece na medida em que são chamados a responder por suas condutas criminosas.

717 – O PENSAMENTO BOLSONARISTA. Eu leio muito os argumentos dos bolsonaristas para entendê-los. Vejo que 95% não produzem seus próprios textos, só repassam o que recebem e escrevem muito mal, com alto déficit de escolaridade que eles não percebem. Pensam que criticar Bolsonaro é defender Lula. Não conhecem a admiração bolsonarista por Chávez. Não admitem que Bolsonaro contratava funcionários fantasmas, inclusive o próprio filho Eduardo. Negam as rachadinhas e desconhecem que o Poder Judiciário só age quando provocado, como pela Polícia Federal ou pelos senadores para implementar a CPI da Covid. Acreditam que a imunidade de rebanho é solução e não voucher para milhares e milhares de mortos e que as medidas sanitárias são meramente ideológicas. Acham que a pesquisa e a ciência são despesas e acreditam que o comunismo diz respeito a tomar o que as pessoas não têm. Acham que têm uma procuração para falar em nome de Deus e que os erros do governo é porque não o deixam governar, embora tenham comprado o Centrão para isso. Entendem que a terra dos índios são improdutivas e não se importam se a livre expressão for um disfarce da apologia ao crime. Pensam que as Forças Armadas são um poder moderador e destinado a uso pessoal do presidente. Tanta coisa que essa gente pensa, ou melhor, que as fazem pensar.

716 – MAUS-TRATOS IDIOMÁTICOS. A maioria dos ministros de Jair Bolsonaro, que praticamente ninguém sabe quem são, fazem muito bem quando não fazem nada. Esse Milton Ribeiro, da Educação, por exemplo, estava passando despercebido, o que só soma para a população em relação ao padrão bolsonarista, até que resolveu defender que a universidade é para poucos e que crianças especiais atrapalham o desenvolvimento dos infantes "normais" (pura eugenia). Mas não para por aí: parece que para ser ministro da Educação precisa ter dificuldade de se expressar na língua portuguesa. Houve um ministro que falava outro idioma e um que escrevia "paralização" e "imprecionante". Pois agora o senhor Ribeiro postou "dirije" numa resposta ao senador Romário. Lembro-me de que ele anunciou que vai examinar antecipadamente as questões do Enem. Imaginem ele e o Bolsonaro fazendo isso: acho que nem prova com consulta adianta. 

715 – ESTRUTURA GOLPISTA. O babaca do Sérgio Reis falou tantas asneiras que acabou deprimido com as consequências do seu servilismo a Jair Bolsonaro. Todavia, ele falou algo que, a par de outros delitos, merece investigação. Disse que os manifestantes em Brasília seriam bancados nos seus custos e nas refeições. Quem pagaria? Seria a Aprosoja, que defende os produtores? Essa associação é suspeita, uma vez que seus produtores rurais defendem as pautas bolsonaristas, entre elas, o voto impresso, a reviravolta entre os Poderes da República a favor do Executivo e a peculiar tese governista da defesa da soberania nacional. Eles também concordam com a forma como Bolsonaro lida com as questões de meio ambiente, flexibilizando a legislação e permitindo o desmatamento, e como ele age nas disputas pelo mercado externo, apesar das bravatas. Essa Aprosoja é uma entidade suspeita e merece levar uma devassa.

714 – MAMATA PRÓPRIA. A pedido da Polícia Federal (os bolsonaristas sempre fazem parecer que os juízes decidem por conta contra eles), o ministro Luis Felipe Salomão, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou o cancelamento por parte do governo do repasse de verbas para mídias, portais, canais e páginas que veiculem notícias falsas sobre as eleições, comprometendo a verdade sobre a lisura do pleito. A apuração da PF está inserida no inquérito aberto pelo TSE para investigar ataques sem provas feitos por Jair Bolsonaro às eleições brasileiras. Pelo jeito, ao contrário do que dizem os seguidores do Capitão Cloroquina, a mamata não acabou e continua ativa, só que agora a favor deles. Uma espécie de mamata própria. Com essa, eles concordam.

713 – NOVO FRACASSO. Para aprovar a PEC do voto impresso, o governo de Jair Bolsonaro teria que obter 308 votos. Mesmo comprando o Centrão, conseguiu apenas 229, insuficiente para aprovar uma lei complementar e talvez até uma lei ordinária. Mas a coisa não para por aí. Agora, vem à tona a revelação de que Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) não conseguiu nem mesmo a instalação de uma CPI para confrontar o TSE, o que exige um quórum de 171 signatários. A coisa está osca pro lado desse governo mambembe e os caras ainda vêm falar em golpe ou em retirar ministros do STF. Não se enxergam. Em tempo: esse Sérgio Reis como cantor é um excelente animador do coral dos milicianos.

712 – BARROS. Na CPI da Covid, Ricardo Barros, líder do governo, alegou que a CPI está afastando potencial vendedores de vacinas. Trata-se de uma alegação de um delinquente, uma vez que quem se recusou a comprar vacinas dos verdadeiros fornecedores foi Jair Bolsonaro, que preferiu negociar propinas com atravessadores enquanto desautorizava as negociações com laboratórios idôneos.

711 – TEATRO. Depois da acertada prisão de Roberto Jefferson, Jair Bolsonaro, que o incentivara a cometer seus crimes de fanfarronice, pressionado pela sua base popular que derrete a cada dia, resolveu anunciar que vai pedir para o Senado Federal o impeachment dos ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, do STF, por, pretensamente, extrapolarem os marcos da Constituição em seus atos e decisões. Para começar, Bolsonaro, como constitucionalista, é um excelente miliciano. Segundo, que os ministros, como juízes, decidem quando provocados, como no caso da prisão de Jefferson, que foi pedida pela Polícia Federal. Terceiro, que não comete nenhum delito o magistrado que decide nos marcos legais e constitucionais, como fizeram ambos os ministros. O cerco está se fechando e Bolsonaro espirra para todos os lados, mas seu desejo de impunidade vai ficando cada vez mais distante. 

710 – MANIPULAÇÃO. O Ministério da Saúde houve por mal reduzir o número de vacinas destinadas ao estado de São Paulo. Até antes dessa decisão, o montante era definido pela proporção populacional, mas, como tem oposição à vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan, Jair Bolsonaro resolveu mudar os critérios e se vingar do governo paulista, que recorreu ao STF. Isso é próprio de um presidente que coloca sua pauta de impunidade acima do interesse público e da saúde da população.

709 – NO XADREZ. Aos poucos, os valentes bolsonaristas das redes sociais vão enfrentando o xilindró. Entre outros, já foram presos o brutamontes deputado federal Daniel Silveira, a confusa Sara Winter, o pseudojornalista Osvaldo Eustáquio e agora o boquirroto Roberto Jefferson. Por enquanto, Jair Bolsonaro vai se safando por conta da imunidade do cargo, mas, em breve, também deverá fazer parte dessa lista de delinquentes e atravessadores da moral e da honestidade.

708 – VOTO IMPRESSO. Pelo jeito, a negociata de Jair Bolsonaro, que teve na votação do voto impresso um teste decisivo, não funcionou. O Centrão é caro e infiel. Esse abraço com a velha política e o "toma lá dá cá" são um voucher para o atraso e para a corrupção. O Brasil tem o melhor sistema eleitoral do mundo e eu, que já fui tantas vezes mesário, pude comprovar isso de perto. Na verdade, Bolsonaro está com sua popularidade derretendo a cada dia por conta de sua omissão criminosa na pandemia e, por isso, tenta, de todas as formas, melar as eleições. Não só não conseguirá como tem tudo para acabar na cadeia, como merecem todos os delinquentes.

707 – FUMACÊ. Os tanques da Marinha que as Forças Armadas trouxeram para desfilar perante Jair Bolsonaro serviram apenas para desmoralizar a instituição. Além de veículos defasados, um deles expirava fumaça no melhor estilo fumacê para combater o mosquito da dengue. Temos aqui uma versão mais recente que honra "O Incrível Exército de Brancaleone", filme de 1966.

706 – COVARDES. Os bolsonaristas costumam se mostrar muito valentes, principalmente em atos golpistas e nas redes sociais. Alguns defendem a revogação da Constituição, a volta do regime militar e a destituição dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Mas quando são convocados para depor perante órgãos de controle, não hesitam em apelar para o STF para não precisar responder aos questionamentos. São falastrões quando não têm que se explicar, mas viram verdadeiros "bundões" quando têm que sustentar suas posições. Isso é típico dessa gente. Foi o que fez o coronel da reserva Helcio Bruno de Almeida, que ficou conhecido por fazer ataques gratuitos às instituições. Na hora de confirmar o que disse, recorreu ao Supremo. Não honra as divisas. Faz lembrar quando Jair Bolsonaro, no Rio de Janeiro, foi assaltado estando armado e, dizem, se borrou nas calças. 

705 – SINISTRO DA EDUCAÇÃO. Os capitalistas têm predileção por apresentar o capitalismo como sinônimo de uma democracia. Democracia é quando as pessoas têm poder de escolha e podem escolher o que é melhor para elas, exercendo sua cidadania com dignidade e com condições econômicas para tanto, principalmente no tocante à sua carreira. Pois agora o senhor pastor reacionário Milton Ribeiro vem dizer que a universidade não pode ser para todos. Que é preciso preparar mais técnicos e menos graduados e pós-graduados. Ora, para começar, mesmo para formar técnicos é preciso investimento em educação básica, o que esse governo não faz. Em segundo lugar, se existem profissionais de nível superior desempregados, a culpa não é deles, mas de um sistema econômico que privilegia o capital em vez da força de trabalho. De novo está se culpando os efeitos em vez das causas. Ministro,  o senhor é uma marionete nas mãos de Bolsonaro e só aparece em público para falar rematadas asneiras.

704 – INVESTIGADO. O TSE solicitou ao STF que Jair Bolsonaro seja investigado por quebra do sigilo de um inquérito da Polícia Federal que investigou um ataque, malsucedido, ao sistema do órgão em 2018. Interessante é que Bolsonaro é contra o sigilo, e até comete crime ao violá-lo, quando isso lhe interessa. Já quando envolve suas falcatruas, ele é a favor do sigilo. Foi assim no caso da investigação de crime militar por parte do general Eduardo Pazuello. O governo decretou cem anos, cem anos, vejam bem, de sigilo nesses documentos. A lei só serve para os criminosos à medida que os beneficia.

703 – NADA A VER. Numa motociata em Santa Catarina neste sábado de 7.8.2021, quando questionado sobre o aumento da gasolina e da inflação, Jair Bolsonaro "contra-argumentou" com voto impresso e outras aleivosias. O cara não tem resposta para nada que diga respeito à melhoria do nível de vida da população. Tudo se resume a continuar no poder para não ir para a cadeia junto com sua familia, ainda mais depois das rachadinhas, das propinas nas vacinas e na omissão no combate ao coronavírus. Já são mais de 560 mil mortes.

702 – EXEMPLO? Jair Bolsonaro em declaração a empresários, com registro pela CNN Brasil: "Parte do STF quer a volta da corrupção". Como se ele e sua família organizada, enfiada em rachadinhas, diárias e notas frias, corrupção em vacinas, fossem exemplos de honestidade e de lisura.

701 – HUMOR CORROSIVO. Não é à toa que os regimes autoritários sempre buscam perseguir os humoristas, porque o humor é revolucionário. Agora mesmo, por ocasião da insistência de Jair Bolsonaro com o voto impresso, as redes sociais foram inundadas por uma boa dose de ironia. Há gente defendendo a volta do telex, do videocassete, de lojas tradicionais que foram extintas, do mimeógrafo e da máquina de escrever. O anacronismo da proposta de Bolsonaro mostra que ele quer um país que ande para trás, inclusive em termos de regime, com saudosismo do golpe militar. Mas o povo sabe como reagir e a desmoralização da proposta bolsonarista está bem avançada.

700 – CACETADA DE VOLTA. A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), aquela do turismo remunerado na Espanha, tentou tirar onda em cima do youtuber Felipe Neto quando ele anunciou que tomaria a vacina contra a Covid-19. No Twitter, ela o mandou agradecer a Bolsonaro. Com toda sua verve, expertise e vocação para o debate, o rapaz, que tem cerca de 15 milhões de seguidores, devolveu a ironia: "Prezada Carla Zambelli / Minha vacina será aplicada com absoluto atraso, graças à incompetência e corrupção do governo federal. / Pq vc não manda essa mensagem para as famílias dos 554 mil mortos no país? / Toma vergonha nessa cara, aliada de assassino".  A escumalha bolsonarista não tem senso de oportunidade.

699 – CALOTE. O ministro Paulo Guedes está armando um calote para os credores de precatórios, que são as sentenças transitadas em julgado que devem ser pagas pela União. Jair Bolsonaro está assentado em privilégios, comendo picanha a R$ 1.800 o quilo, usando sem limites o cartão corporativo, e assim fica fácil de tramar não pagamento do que é dinheiro dos outros.

698 – TSE. Diante dos ataques de Jair Bolsonaro ao sistema eleitoral, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que ele seja investigado pelos ataques antidemocráticos ao processo. Como Bolsonaro está cada vez mais impopular, ele tenta virar a mesa. Até mesmo o presidente Luiz Fux, que sempre esteve lhe estendendo a mão, leu uma nota contundente contra suas acusações infundadas. Os golpistas serão derrotados nas urnas e nas ruas.

697 – MANIFESTAÇÕES. Neste domingo, 1º.8.2021, os bolsonaristas fizeram manifestações em todo o país pelo voto impresso e com palavras de ordem golpistas. Basta ver as imagens divulgadas pela imprensa para se ver que os atos estão cada vez mais esvaziados, com enormes claros entre o gado pingado. Viram-se muitos dos participantes fazendo pouco das aglomerações e não usando máscara. A julgar pela frequência cada vez menor nas atividades de apoio ao presidente, o que está de acordo com as pesquisas sobre seu governo, o grande negócio do momento é comprar os butiazinhos pelo preço que valem e revender pelo que eles julgam valer. Claro, se houver compradores.

695 – FRAUDE. Jair Bolsonaro fez o maior estardalhaço e anunciou que na live de quinta-feira, 29.7.2021, apresentaria provas de fraudes nas urnas eletrônicas. Como bom boquirroto que é, não apresentou nada. A maior fraude é ele mesmo.

694 – ORALIDADE.  Mas é um show de preliminares orais. Diante das denúncias dos Mirandas sobre as irregularidades na compra da vacina Covaxin, Jair Bolsonaro diz que avisou oralmente o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que, por sua vez, também encaminhou o assunto de forma oral para o seu secretário-executivo, Élcio Franco. Esse pessoal é muito bom de boca e a cada mentira tem que inventar uma nova para sustentar a anterior.

693 – INCÊNDIO.  Um incêndio atingiu o galpão da Cinemateca Brasileira. Na matéria, o G1 destaca: "Em julho de 2020, o Ministério Público Federal em São Paulo (MPF-SP) entrou com uma ação na Justiça contra a União por abandono da Cinemateca Brasileira. A promotoria questionava a falta de contrato para gestão da instituição". O governo de Jair Bolsonaro encara a cultura, a memória nacional e o patrimônio público com um descaso criminoso. E ainda se orgulha de cortar os investimentos, como faz com as universidades e com o setor de pesquisa do país.

692 – MINISTÉRIO DO TRABALHO.  Jair Bolsonaro recria o Ministério do Trabalho e claro que essa medida não é para defender os trabalhadores, que, como bom admirador de ditadores, ele tanto odeia. A verdadeira razão é para acomodar Onix Lorenzoni, aquele das notas frias. Esse senhor de tantos serviços prestados ao Capitão Cloroquina, como naquela entrevista em que mentiu sobre a vacina Covaxin, está agora sendo recompensado pelo servilismo com um cargo de primeiro escalão. O "toma lá dá cá" é a natureza desse governo corrupto e antissocial.

691 – PROMESSA VÃ.  Diante da péssima repercussão da aprovação do fundo eleitoral de R$ 5,7 bilhões, Jair Bolsonaro prometeu vetar a medida. Todavia, já está voltando atrás. Até já fala num fundo de R$ 4 bilhões. Ora, mesmo assim é um montante absurdo de dinheiro. Partidos políticos são entidades de regime jurídico de direito privado e jamais deveriam receber verbas públicas, ainda mais num país com enormes carências em saúde, educação, saneamento, infraestrutura e no mercado de trabalho. Como sempre, Bolsonaro se volta contra o interesse público atuando em favor dos ricos e poderosos.

690 – NAZISTA AMIGA.  Jair Bolsonaro teve um encontro cheio de mesuras com a deputada alemã Beatrix von Storch no Palácio do Planalto. Neta de um ministro de Adolf Hitler, ela faz parte do partido Alternativa para a Alemanha, sigla reconhecida por difundir ideias neonazistas. Ao se alinhar com os genocidas do holocausto judeu, Bolsonaro mostra seu desapreço pela vida dos outros, como evidenciou durante a pandemia no país.

689 – PERSEGUIÇÃO. O ministro Kassio Nunes solicitou à Procuradoria-Geral da República (aquela do Aras do Bolsonaro) apuração de supostos crimes cometidos pelo professor Conrado Hübner, da USP, em artigo no qual critica a decisão do magistrado bolsonarista de liberar o funcionamento de igrejas durante a pandemia, decisão que foi revertida pelo plenário do STF. Esses bolsonaristas não guardam nenhuma coerência. Quando realizam ameaças, como o deputado federal Daniel Silveira, consideram livre expressão. Quando são criticados por opinião contrária, consideram crimes. Gente oportunista e leviana.

688 – SUBEMPREGO. O ministro Paulo Guedes defende o fim dos encargos trabalhistas, que, para ele, comprometem a criação de empregos. Ora, num país com alta concentração de renda, querer acusar os pobres pelo desemprego é de uma crueldade inaceitável. O governo de Jair Bolsonaro já aprovou uma reforma que praticamente inviabiliza a aposentadoria e agora quer criar subempregos para aumentar os lucros da classe patronal. A direita está fazendo o trabalho sujo a serviço de uma minoria de ricos que detém o poder de mando.

687 – MÃE DO CENTRÃO. Jair Bolsonaro está nomeando o senador Ciro Nogueira (Progressistas-PI) para a Casa Civil. Com isso, sua vaga ficará para... sua mãe, Eliane Nogueira. Isso é o Centrão, isso é Jair Bolsonaro. Fica tudo em família. 

686 – AMEAÇA. O ministro da Defesa, Walter Braga Netto, mandou um recado ao presidente da Câmara, Arthur Lira, condicionando a realização das eleições de 2022 à aprovação do voto impresso, conforme reportagem do jornal O Estado de S. Paulo. Isso é inaceitável e mostra o caráter golpista do governo de Jair Bolsonaro. Já vivemos numa democracia meramente formal e não se pode aceitar que militares que quebraram o país em tempos idos venham agora a dar pitaco na política do país. Por que não te calas, Braga Netto?

685 – REFORMA MINISTERIAL. No templo da religião positivista, sincretismo insólito com sociologia e política que só teve terreno fértil no RS, há uma inscrição que diz que os vivos são cada vez mais governados pelos mortos. Discutível, embora seja evidente o peso da tradição no passado, inclusive na ciência. Todavia, no caso do zumbi Bolsonaro, ele está cada vez mais sendo governado pelos mais vivos do Centrão, o mesmo que seu chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República disse que se "gritar pega Centrão / Não fica um, meu irmão". Gritaram "pega Centrão!" e ele pegou o presidente numa pseudorreforma ministerial. Está refém desse grupo fisiológico, o que não é de se estranhar. Afinal, do Centrão veio e ao Centrão retorna.

684 – PRONUNCIAMENTO. O ministro da Educação, Milton Ribeiro, realizou um pronunciamento em que defende a volta imediata das aulas nas escolas, aduzindo que "a vacinação de toda a comunidade escolar não pode ser condição para a retomada das aulas". Nenhuma novidade. O governo de Jair Bolsonaro sempre quis abrir tudo, apostando na imunidade de rebanho, sem vacina. E continua investindo criminosamente contra a imunização.

683 – FUNDÃO POR TRÉGUA. A bancada bolsonarista no Congresso, incentivada por Jair Bolsonaro e seus filhos Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro, houve por fim realizar uma manobra arriscada. Para evitar que a CPI da Covid continuasse funcionando, eles votaram pela LDO com o fundão partidário de R$ 5,7 bilhões. Enquanto a LDO não fosse votada, não haveria o recesso e a interrupção dos trabalhos da CPI. Votaram conscientemente com o projeto de lei sabendo que havia o fundão para barrar a CPI por 17 dias. E depois alegaram que não sabiam o que estavam votando. Ficou feio. Bolsonaro afirmou que vai vetar esse fundo indecente. Nas eleições passadas, ele prometeu a mesma coisa e não o fez. Se vetar, não vai impedir o desgaste de sua base aliada, que mentiu para a população. Enquanto isso, o vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos, ficou buzina por ser acusado pela bancada governista de ter encaminhado por conta a aprovação da emenda. Vem rolo por aí.

682 – FEZ BEICINHO. Jair Bolsonaro vem variando suas declarações sobre eleições. Há poucos dias, afirmou que, se não houver o tal do voto impresso, não haverá eleições em 2022. Vendo sua reputação e votos decairem, agora diz que poderá não disputar as eleições. O desespero leva a opiniões oscilantes.

681 – PELO TRIPLO. Na CPI da Covid, o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou, com todas as letras e sons, que nunca participava em negociações de vacinas, que isso era feito por um escalão inferior do Ministério da Saúde. Nada como um vídeo depois do outro. Agora, apareceu uma gravação em que ele aparece negociando a Coronavac, por meio de uma intermediaria de Santa Catarina, pelo triplo do valor. Ou seja, tendo propina, tendo superfaturamento, a vacina é bem-vinda. A do Butantã, oferecida por dez dólares, foi recusada. A mesma vacina, oferecida por uma atravessadora, a 28 dólares, foi aceita. Pode isso, pessoas razoáveis?

680 – CEREJA. Eis a cereja do pretendido cocô do presidente: a bancada bolsonarista votou a favor do aumento do fundo partidário de R$ 2 bilhões para R$ 5,7 bilhões. E alguns parlamentares governistas têm seus apoiadores como tolos: alegam que votaram enganados. Interessante é que o engano é sempre contra os cofres públicos, nunca a favor.

679 – SIGILO ESTRANHO. O governo federal decretou sigilo de cem anos no caso do médico gaúcho Victor Sorrentino em relação aos documentos do caso. Muito estranho determinar sigilo em grau máximo no caso de uma pessoa que infringiu as leis daquele país ao tratar de forma ignominiosa uma cidadã egípcia. Que privilégio para um mau brasileiro machista! O que não deve ter de negociata nisso, hein?

678 – VACINA RUSSA. De acordo com um relatório do Departamento de Saúde e Serviços Humanos do governo dos Estados Unidos, por imposição de Donald Trump, o órgão pressionou para que Jair Bolsonaro não adquirisse a vacina russa Sputnik V em 2020. O serviçal, claro, concordou e o resultado de mais essa omissão está aí, nas mais 530 mil mortes que enlutam o Brasil de norte a sul.

677 – DECLARAÇÃO. O comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Carlos de Almeida Baptista Junior, fez uma declaração contra o que seria uma crítica do presidente da CPI da Covid, Omar Aziz, contra o envolvimento de militares em corrupção, além de defender o general Eduardo Pazuello, da ativa e péssimo ministro da saúde no tempo em que exerceu o cargo. Pois bem, o aeronauta de farda parece estar nas nuvens mesmo, porque a grande maioria que assistiu ao que o senador falou percebeu que ele falava de uma minoria. Na verdade, esse tom corporativo tem o objetivo de intimidar para que as investigações não cheguem aos oficiais envolvidos em corrupção nem ao principal mandante, que é Jair Bolsonaro. 

676 – MANIPULAÇÃO. O governo federal tomou a iniciativa de excluir o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) na aferição do desmatamento, colocando essa atribuição para o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), ligado ao Ministério da Agricultura, o do agronegócio, como forma de manipular os dados da devastação ambiental. A maquiagem de dados é um desrespeito ao meio ambiente e serve para dissimular crimes de contrabando de produtos florestais. 

675 – PREVARICAÇÃO. O "jurista" Jair Bolsonaro entende que não pode ser acusado de prevaricação, que é deixar de fazer aquilo a que se está obrigado de ofício. Essa tese vem bem a calhar no momento em que sua tese sobre o que teria feito a partir das denúncias dos irmãos Mirandas sobre a Covaxin está desmoronando. Aliás, teses, porque a cada momento ele muda a versão.

674 – SEM PARTIDO. Jair Bolsonaro tentou criar o partido Aliança pelo Brasil e fracassou por falta de adesões. Depois, negociou com diversos partidos sua filiação para disputar a presidência em 2022, como o PP de Ciro Nogueira, o PL de Valdemar Costa Neto, o PTB de Roberto Jefferson e o nanico Patriota, que o rechaçou por uma oposição interna. Na cabeça do Capitão Cloroquina, os partidos iriam brigar para acolhê-lo. Diante de sua crescente impopularidade, nada disso está acontecendo. Os bolsonaristas estão cada vez mais rechaçados pela população, que está vendo o caos em que jogaram o país. Um caso ilustrativo é o da deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), aquela do turismo remunerado na Espanha. O pai, irmão e cunhada de Carla Zambelli perderam as eleições em SP em 2020. Sem falar que o afetado Carlos Bolsonaro teve uma queda na votação no RJ quando esperava aumento. De 106.657 votos, mais votado, caiu para 71 mil em 2020. As bolhas de Bolsonaro parecem encolher a cada dia.

673 – IMPEDIMENTO. Já indicando a queda de popularidade de Jair Bolsonaro, o instituto Datafolha realizou pesquisa que mostra que, pela primeira vez, desde abril de 2020, a maioria dos brasileiros é indubitavelmente a favor do impeachment do presidente. O levantamento evidencia que 54% são favoráveis à medida, 42% são contrários e 4% não sabem ou não quiseram opinar. Resta agora ir para as ruas e pressionar os líderes da oposição para que assumam essa bandeira, uma vez que muitos preferem que Bolsonaro sangre para derrotá-lo nas urnas, plano que pode naufragar por diversos motivos. Não se pode ter nenhuma condescendência com o Capitão Cloroquina. A memória dos mais de 530 mil mortos não comporta essa vacilação.

672 – GURU. O defensor público Clóvis B. Neto comentou em seu Twitter: "Quero saber como Olavo de Carvalho conseguiu um leito do SUS para tratamento especializado com essa velocidade, estando fora do país? Nesse momento, tenho dezenas de liminares descumpridas determinando internações de pacientes graves, sem a menor previsão de vaga". Gente como esse astrólogo, guru do Jair Bolsonaro, adora criticar o sistema público, mas não hesita em usufruir dos recursos do erário quando lhe é conveniente. É preciso investigar esse caso de fura-fila.

671 – ELEIÇÕES. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) emitiram nota em defesa do sistema eleitoral brasileiro, totalmente informatizado. À medida que perde apoio na população, como indicam todas as pesquisas sérias, Jair Bolsonaro lança acusações sem provas contra os órgãos de apuração. O Brasil é internacionalmente reconhecido pela lisura do seu processo eleitoral. Instado a comprovar o que fala, Bolsonaro nada apresenta. As eleições vão ocorrer sim e os golpistas serão derrotados. 

670 – COZINHEIRO 'INFIEL'. O cozinheiro Eduardo Lazzari, do Hotel Spa do Vinho, de Bento Gonçalves, assim que soube que teria que cozinhar para Bolsonaro, escreveu nas redes sociais: “Vou ter que cozinhar para este diabo ainda, que raiva”. Foi preso pela Polícia Federal e teve que dar explicações. Eu, no lugar dele, também ficaria inconformado. Além de pagar a picanha de R$ 1.800 que ele come, leite condensado e outras coisas superfaturadas, ainda ter que cozinhar para esse sacripanta é demais. Sem falar que ele não se orgulha do que ingere, mas do que caga. Chef Eduardo, minha solidariedade!

669 – CAGÃO. Em vez de uma resposta à CPI da Covid sobre o envolvimento do líder do governo Ricardo Barros (PP-PR) nas negociatas com vacinas, deputado cuja mulher ganhou um cargo milionário em Itaipu para uma reunião bimestral, Jair Bolsonaro afirmou que está "cagando" para a CPI. Ora, quem caga é literal e metaforicamente um cagão.

668 – PGR BLINDADO. Os senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Fabiano Contarato (Rede-ES) entraram com um pedido no Conselho Superior do Ministério Público para que o CSMP investigue a conduta omissa do procurador-geral da República Augusto Aras na pandemia. Nomeado por Jair Bolsonaro, ele fez do órgão um puxadinho do Palácio do Planalto e disse amém a todos os malfeitos do presidente. Aliado de Aras, o vice-procurador da República, Humberto Jacques de Medeiros, travou o procedimento e deu um parecer secreto. Diante disso, o subprocurador José Bonifácio entrou com um mandado de segurança na Justiça do DF para que o referido parecer seja tornado público e anulado. O Judiciário já intimou Humberto Jacques para que preste esclarecimentos. Aras e Bolsonaro estão juntos na busca pela impunidade.

667 – SEM CONDIÇÕES. A servidora Francieli Fantinato, ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde, afirmou na CPI da Covid que se afastou do governo porque não havia a compra de vacinas nem campanhas de esclarecimento à população sobre as medidas sanitárias. Confirmou o que já se sabia, mas é importante que venha de alguém que fez parte da equipe do Ministério da Saúde. O boicote de Jair Bolsonaro ao enfrentamento da pandemia surtiu efeitos danosos e letais.

666 – QUATRO MILHÕES. O mundo alcançou, nesta quarta-feira, 7.7.2021, o montante de 4 milhões de mortos na pandemia. Deste total, o Brasil tem 528 mil óbitos, um número que até sem maiores cálculos chama a atenção. O país, tendo apenas 2,7% da população mundial, apresentou 13,2% das mortes totalizadas oficialmente. Qual parte dessa tragédia se deve ao boicote de Jair Bolsonaro à ciência, às medidas sanitárias e às vacinas?

665 – NOTA DO EXÉRCITO. O comando do Exército lançou nota criticando falas do senador Omar Aziz (PSD-AM), que aventou conivência da instituição com atos de corrupção. Aziz até já se retratou, mas o que fica é que não basta lançar notas defendendo uma suposta idoneidade, uma vez que as Forças Armadas se imiscuíram de um jeito tal no governo federal que já são cúmplices dos malfeitos, como a inútil produção de cloroquina e a proteção indecente ao ex-ministro Eduardo Pazuello. Tem que mostrar que não está em mancomunação. Quem se mostra servil para corruptos está sujeito a ser igualmente questionado.

664 – POSTAGEM ACINTOSA. Em março, o ministro Onix Lorenzoni, da Secretaria-Geral da Presidência, postou um twitter em que elogiava um tratamento de nebulização com hidroxicloroquina realizado pela médica Michelle Chechter, ginecologista, ginecologista, na paciente Jucicleia de Sousa Lira, técnica em radiologia, sem autorização da família, em Manaus. O tratamento foi realizado sem a anuência da família e a médica induzia a enferma, em vídeo, a dizer que estava bem. Alguns dias depois, ela faleceu. Sob influência de Bolsonaro, essa gente não se contém em ser negligente. Quer mais, quer realizar procedimentos ineficazes para testar suas teorias sem embasamento científico com pessoas pobres que são transformadas em cobaias. E muitas, na sua agonia, foram imitadas em live pelo presidente em clima de afetação. Empatia é uma palavra que não existe no reduzido vocabulário do Capitão Cloroquina.

663 – VACINA VIRTUAL. A história parece roteiro de governo trash. Um cabo PM e um reverendo sem nenhum mandato oficial oferecem o fabuloso montante de 400 milhões de vacinas que não existem de uma empresa de material de construção que não tem nenhuma dose e são recebidos pelo alto escalão do Ministério da Saúde numa negociação superfaturada em que a única coisa verdadeira é o R$ 1,6 bilhão que o governo de Jair Bolsonaro empenhou (destinou no orçamento) e que só não foi pago porque se descobriu antes a falcatrua. Parece até golpe do WhatsApp. O serviço de desinteligência do governo federal tem tudo para ser uma referência no mundo.

662 – RACHADONAS. A ex-cunhada de Jair Bolsonaro, a fisiculturista Andrea Siqueira Valle, revelou em áudios que ele manteve um esquema de rachadinhas em seu gabinete como deputado federal (entre 1991 e 2018). Ela (no gabinete de Flávio Bolsonaro) e seu irmão André (no gabinete de Messias) foram funcionários fantasmas e tinham que devolver a maior parte dos salários recebidos. Inclusive esse irmão foi despedido porque não entregava todo o valor combinado, o que irritou Bolsonaro. Quem fazia a coleta era um tio dela, Guilherme Hudson, coronel reformado e ex-colega do presidente na Aman (Academia Militar das Agulhas Negras). A família organizada encontrou no peculato um modo criminoso de aumentar seu patrimônio.

661 – MÃO DE VACA. Conta a deputada federal Joice Hasselman que estava estimulando um projeto social numa região muito pobre de São Paulo e que levou a iniciativa para conhecimento e apoio de Jair Bolsonaro. Para não despertar ciúmes nas hostes bolsonaristas, sugeriu que o programa fosse capitaneado pela primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Foi aí que Bolsonaro negou a adesão afirmando que, como essa função não tem orçamento, ele teria que pagar as passagens do bolso dele. Quer dizer, comer picanha privada de R$ 1.800 à custa do erário pode, mas colocar alguma quantia do seu supersalário em prol dos mais necessitados não pode. Eis como age um gigolô dos cofres públicos. 

660 – COMPLICOU. A ministra Rosa Weber, do STF, autorizou abertura de inquérito para que a Procuradoria-Geral da República investigue Jair Bolsonaro por prevaricação no caso da vacina Covaxin. Ele foi alertado pelos irmãos Mirandas e nada fez. Aliás, primeiro Bolsonaro falou que os Mirandas nada lhe falaram. Quando essa versão se tornou inverossímel, ele alegou que avisou o então quase ex-ministro Eduardo Pazuello. É ruim quando os fatos estragam as combinações. Essa é aquela vacina mais cara pela qual Bolsonaro se tomou de repentino interesse depois de recusar negociações com laboratórios idôneos e reconhecidos.

659 – INTERESSE ESCUSO. O governo federal recusou as ofertas de vacinas que vieram direto das empresas com laboratórios, como no caso da Pfizer e da Coronavac, e se empenhou para comprar daquelas que tinham atravessadores. A tentativa de propina falou mais alto. No caso da Covaxin, Jair Bolsonaro chegou a enviar uma carta para o governo indiano, além de enviar uma comitiva para aquele país. Enquanto milhares de pessoas morriam no país, o presidente se empenhava em negociações escusas e duvidosas.

658 – POSTAGEM APAGADA. Senador das rachadinhas (entenda-se peculato), Flávio Bolsonaro apagou postagem no Twitter, dia 27.2.21, comemorando o contrato da Covaxin, a vacina superfaturada. Ele não só comemorou como intermediou reunião com o dono da Precisa Medicamentos, empresa atravessadora da venda da vacina indiana, com o presidente do BNDES, Gustavo Montezano. Tudo indica que estava querendo financiar com recursos públicos o laboratório que ofertava a vacina mais cara do mercado. Sobre apagar postagens, depois da CPI, os bolsonaristas deram para apagar áudios e vídeos, como fez o jornalista Alexandre Garcia e a deputada federal Carla Zambelli, aquela do turismo remunerado na Espanha. Sobra cinismo, falta personalidade. 

657 –  MANOBRA DESMASCARADA. O policial militar de Minas Gerais Luiz Paulo Dominguetti, que se diz representante da empresa Davati Medical Supply, confirmou a exigência da propina de um dólar por cada dose, exigida pelo servidor Roberto Dias. O negócio não andou porque a empresa não deu o sinal verde. Talvez culpando o deputado bolsonarista Luis Miranda (DEM-DF) pelo não fechamento do negócio, o depoente Dominguetti apresentou um áudio enviado pelo representante da Davati no Brasil em que o denunciante Luis Miranda da corrupção na compra da Covaxin estaria envolvido com negociações de vacinas. Todavia, o áudio em nenhum momento dá escopo à tese, já que é do ano passado e trata da negociação de outros itens. A tentativa do governo federal de melar as denúncias da Covaxin não deu certo. É difícil, para quem tem um passado sujo pela frente, editar uma linha do tempo.

656 –  O DÓLAR COBRADO. Outra denúncia de corrupção abala a republiqueta da família organizada: um representante da empresa Davati Medical Supply afirmou que proposta de propina de um dólar por vacina saiu no Ministério da Saúde. De acordo com Luiz Paulo Dominguetti Pereira, representante da empresa, o diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, cobrou a propina em nome do governo em um jantar em restaurante do Brasília Shopping em 25 de fevereiro. Em vez de explicar, Jair Bolsonaro ataca a CPI da Covid. Suas vociferações não encontram respaldo nos fatos.

655 – EMPENHO. Geralmente, Jair Bolsonaro é acusado da falta de empenho pelas vacinas. No caso da Covaxin, não cabe essa imputação. O governo federal fez um empenho bilionário para pagamento, no total de R$ 1.6 bilhão. Essa reserva de recursos mostra Bolsonaro realmente muito empenhado na negociação.

654 – ENERGIA ELÉTRICA. O aumento da conta de luz é falta de investimentos em energias limpas, mas, também, é fruto do desmatamento recorde sob o governo de Jair Bolsonaro. A devastação da Amazônia, segundo especialistas, altera a estação das chuvas e também seu ciclo e lugares de precipitação, causando enchentes em algumas áreas e secas em outras, notadamente onde se situam as reservas das hidrelétricas. Evidentemente que esse problema não é de hoje, mas, neste governo, nada, absolutamente nada, foi feito para resolver a iminência de apagões. Pelo contrário, a devastação dos ecossistemas está cobrando seu preço. E como bandeira vermelha.

653 – FALAS. Do vereador bolsonarista Jairinho ao pai do menino Henry (Leniel Borel), morto por ele: "Vire a página e faça outro filho". De Jair Bolsonaro sobre milhares de mortes na pandemia: "E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Sou Messias, mas não faço milagre". Qualquer semelhança na indiferença e na falta de empatia não é mera coincidência.

652 – MINISTÉRIOS. Jair Bolsonaro não é original nem nas desculpas. Diante das evidências de uma corrupção de monta no caso da vacina Covaxin, ele alega que não pode saber tudo que ocorre nos ministérios. Ora, ele tem a obrigação de saber pelo cargo que ocupa. E pelo jeito sabia muito, já que se empenhou pessoalmente pela realização do negócio de R$ 1,6 bilhão.

651 – CANCELAMENTOS. Sérgio Camargo, o negro com alma de direita que preside a Fundação Palmares, excluiu várias personalidades da lista de homenageados da entidade, como Martinho da Vila e Leci Brandão, além da exclusão de livros e obras de referência, como textos de Machado de Assis. Quando um negro vira capitão do mato, é preciso mostrar a ele que a luta dos negros e de outros segmentos oprimidos, como os povos indígenas, vai continuar contra toda forma de intolerância. A propósito, sua postura me faz lembrar de uma máxima da minha terra: "Quer aparecer? Coloca uma melancia no pescoço". A hora desse meliante servil também vai chegar.

650 – IR MANIPULADO. Com objetivo eleitoral, Jair Bolsonaro resolveu finalmente reajustar a tabela do IR. Agora passam a ser isentos os que ganham até R$ 2.500. Sem esquecer que ele havia prometido isenção para quem recebe até cinco salários mínimos (R$ 5.500) e nunca cumpriu. A tabela não é reajustada desde 2015 e, se fosse atualizada pela inflação, deveria estar hoje com isenção para quem ganha até R$ 4.022,89. O IR no Brasil é um tributo desproporcional e os que ganham menos pagam mais, uma vez que as faixas de incidência têm percentuais iguais para todos. Sem esquecer que mesmo os de baixa renda pagam impostos elevados no consumo. A injustiça fiscal, que não é apenas deste governo, continua escancarada e servindo para os ricos ficarem mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. 

649 – AVICO. Surgiu em Porto Alegre, que costuma ter um papel de vanguarda em várias questões humanitárias e sociais, uma associação para defender as vítimas e familiares da Covid-19. Trata-se da Associação das Vítimas da Covid-19 (Avico) e que terá o papel de representar os interesses de quem foi alvo da doença, tanto judicial como extrajudicialmente. Uma das medidas iniciais foi encaminhar uma análise da possível conduta criminosa de Jair Bolsonaro na pandemia à Procuradoria-Geral da República (PGR). Sem dúvida, essa iniciativa é bem-vinda e deverá ser replicada por todo o país. É preciso apurar todas as responsabilidades nesta tragédia que ceifou milhares de vidas e deixou muita gente com sequelas físicas e psicológicas. Avante, Avico!

648 – SEGUIDOR. O deputado Luis Miranda (Dem-DF) é um contumaz apoiador de Jair Bolsonaro, tendo apoiado o governo em 99% dos casos. E foi com o instinto de apoiador que ele foi levar ao presidente as denúncias de superfaturamento da vacina Covaxin no dia 20 de março. Bolsonaro não deu a mínima, seja por omissão, seja porque estivesse envolvido na negociata. Foi assim que o parlamentar, vendo seu irmão, que ocupava um cargo de destaque no Ministério da Saúde, sofrer pressão, resolveu levar o caso adiante. Bolsonaro ouviu e não fez nada, o que é próprio dos prevaricadores e corruptos. Diante da repercussão, depois de uma primeira versão sem norte apresentada por Onix Lorenzoni, resolveu afirmar que avisou o demissionário ministro Eduardo Pazuello, que nada fez. Claro que nada fez, pois já estava de saída, nunca foi avisado e vai de novo servir de bode expiatório. Bota na conta do Pazuello que ele aguenta. 

647 – STAND UP CONSTRANGEDOR. Vou fazer uma campanha de arrecadação de vergonha para o ministro Onix Lorenzoni, já que a dele já prescreveu há muito tempo. O que foi aquela cena forçada dele querendo se mostrar indignado perante as denúncias de corrupção na compra da vacina Covaxin? Armou como se estivesse mostrando um documento verdadeiro e um falso, juntado pelo servidor Luis Ricardo Miranda. Na verdade, a empresa Precisa, atravessadora na negociação, já confirmou a veracidade de ambos os documentos e afirmou que já havia emitido três deles. Desesperados, os bolsonaristas montaram às pressas uma versão de denunciação caluniosa que não resiste à menor análise séria. Foi uma apresentação indecorosa por parte do ministro, sem sequer dar espaço para a imprensa perguntar. É preciso não ter espinha moral para se submeter a um papel de mandalete como fez Sua Excelência. A ascensão de Osmar Terra, Bibo Nunes, Luis Carlos Heinze e o próprio Onix Lorenzoni mostram que nem tudo está perdido porque sempre pode piorar mais.

646 – INDÍGENAS. A CCJ da Câmara votou pela continuidade de tramitação de um projeto de lei que agride os direitos dos povos indígenas às suas terras. O PL, que conta com o apoio do governo de Jair Bolsonaro, fixa que os índios precisarão provar a posse de suas terras após a Constituição de 1988 e que elas poderão ser usadas para exploração econômica. Trata-se de mais uma articulação de grileiros, madeireiros, mineiros e ruralistas para se apropriar de áreas que não lhes pertence. Índios e negros continuam a ser alvo políticas genocidas de governantes que fixam o extermínio como meta oficial. As alegações em favor dessa proposta são trágicas e só por isso não podem ser consideradas como risíveis.

645 – MEIO AMBIENTE. A troca no Ministério do Meio Ambiente, promovida por Bolsonaro, com a substituição de Ricardo Salles pelo ruralista Joaquim Álvaro Pereira Leite, mostra que agora assumiu de vez o boiadeiro para tentar passar a boiada.

644 – VACINA COM ATRAVESSADOR. É sobejamente conhecido o boicote de Jair Bolsonaro às vacinas. É por isso que causa espanto sua intervenção para que o Ministério da Saúde adquirisse, sem a aprovação da Anvisa, a vacina Covaxin por meio de uma empresa intermediária, a Precisa Medicamentos, com preço mil vezes maior que o valor do custo anunciado há seis meses pelo laboratório indiano responsável pela produção das doses (1,34 dólar). Em relação à Pfizer, o governo ignorou por cerca de onze meses as inúmeras tentativas da empresa de vender as vacinas ao país. Já no tocante à Covaxin, esse tempo não chegou nem a cem dias e o valor de aquisição é de quatro vezes o pago pelos imunizantes de outros fornecedores, ficando em torno de R$ 80. E tem  mais aberrações: essa empresa que intermedeia o negócio faz parte de um grupo que já negociou com o MS e não entregou os remédios contratados, no valor de R$ 20 milhões, ou seja, é inidônea. Será que o agravamento do mau humor do Capitão Cloroquina, que anda tão irascível e afetado, tem a ver com a descoberta dessa sigilosa negociata em que se estava armando um grande golpe contra os cofres públicos? A CPI está cumprindo seu papel, para desespero da escumalha bolsonarista.

643 – VULGAR E COVARDE. Jair Bolsonaro, infrator contumaz das medidas sanitárias, agrediu verbalmente a repórter Laurene Santos, da TV Vanguarda (SP), afiliada da Rede Globo, além de insultar a emissora por ela denunciar seus malfeitos. Interessante é que esse poltrão não teve essa valentia quando foi assaltado, estando ele armado, no Rio de Janeiro. Por pouco não levou um chute no traseiro. Esse é o mito do rebanho descerebrado, vulgar, covarde e miliciano honorário.

642 – SEM GÁS. Diante do preço escorchante do botijão de gás, que hoje está em torno de R$ 100, o que se vê é que com a privatização da Liquigás, subsidiária da Petrobras, ao contrário do que afirmou o ministro achista Paulo Guedes, o preço da unidade de 13 quilos não caiu pela metade, mas aumentou absurdamente. E nem dá para acusar os governos estaduais, como fazem os bolsonaristas, uma vez que o ICMS, na média é de 15% e não cerca da metade do valor, como anda sendo divulgado por meios inidôneos, e, em cada R$ 100, distribuição e revenda embolsam R$ 36. A mesma falsa promessa está sendo feita em relação à privatização da empresa nacional de energia elétrica, a Eletrobras. Quem se candidata a acreditar?

641 – IMPRENSA INTERNACIONAL. Jair Bolsonaro costuma atribuir à imprensa do país o noticiário negativo sobre seu governo, como se ela não se restringisse a informar fatos. Chega até a dizer que a cobertura é contrária porque muitos veículos perderam verbas, asneiras que são repetidas por seus papagaios de presépios. Contudo, sua lógica tosca não explica que também a imprensa internacional o critique de forma contundente, como ocorreu agora quando o país atingiu a triste marca de meio milhão de mortos pela Covid-19. Essa tragédia foi destaque nos jornais britânicos The Independent e The Guardian, na BBC, no espanhol El País, no jornal The Times of Israel, no americano The Washington Post, no jornal argentino El Clarín e em muitos órgãos de imprensa ao redor do mundo. Só falta Bolsonaro alegar que também esses meios de comunicação deixaram de receber verbas governamentais e por isso estão se voltando contra ele. Na teoria da conspiração, cabe até a terra plana. 

Leia os itens anteriores nos linques abaixo:
https://www.landrooviedo.com/blog.php?idb=58731 (De 340 a 640)
https://www.landrooviedo.com/blog.php?idb=55291 (De 1 a 339)

 


Publicado por Landro Oviedo em 21/06/2021 às 00h13



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"A VIDA É BELA. QUE AS FUTURAS GERAÇÕES A LIMPEM DE TODO MAL, DE TODA OPRESSÃO E VIOLÊNCIA E A DESFRUTEM PLENAMENTE." (LEON TRÓTSKI)