"Como dois e dois são quatro/Sei que a vida vale a pena/Embora o pão seja caro/E a liberdade pequena" (Ferreira Gullar)
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O CANTO DAS MISSÕES ORIENTAIS EM BRASÍLIA
No dia 19 de agosto, organizada pelo ativista cultural Clóvis Carneiro Brum, realizou-se, em Brasília, a 1 Noite do Folklore, no Clube do Rocha, uma aprazível associação dos sargentos e subtenentes do Exército, situada às margens do Lago Paranoá, que tem no alegretense Francisco Petroceli um dos seus expoentes. Além da apresentação de uma invernada artística, houve um show missioneiro de Pedro Ortaça e seu grupo, formado por Gabriel Ortaça, Cristhian Guterres e Anderson Pires. Logo após, ocorreu um baile com o grupo Distrito Fandangueiro, integrado por Manoel Müller, Márcio Fagundes, Fernando Becker, Lucas Araújo e Fabinho. São gaúchos ou descendentes que cultuam nossa arte e tradição naquelas plagas.

Durante o evento, o pesquisador e poeta José Machado Leal autografou sua obra mais recente, "Missões, A República do Boi", que conta de forma mítica a saga das Missões Jesuíticas, tendo como fio condutor um romance entre um cacique e uma nobre da corte espanhola. O prefácio é nosso, que tivemos a ventura de acompanhar de perto momentos singulares.

Nos mesmos moldes, a atividade foi reeditada na Vila Rosário, em Correntina, cidade da Bahia, no dia 20 de agosto, para onde rumou nossa delegação. Lá, a atividade foi capitaneada pelos gaúchos João Schiavini e Volmir Martinazzo, que atuam empresarialmente entre Goiás e Bahia.

A ida a Brasília serviu para confirmar a máxima de que os gaúchos são desbravadores. Constroem novas referências, fundam cidades, levam o desenvolvimento, mas sem se esquecer de suas raízes. Quem entrasse desavisadamente nos locais dos eventos, poderia pensar que estava nalgum fandango na Fronteira ou em algum rincão perdido do Rio Grande. Havia muitos participantes pilchados e cantando com orgulho as letras das canções regionais. Pedro Ortaça mostrou por que é hoje nosso maior artista em atividade e elevou a voz para cantar a rebeldia gaúcha e o legado das Reduções. Gabriel Ortaça deixou evidenciado o compromisso com um canto que resgata a memória de um povo injustiçado, que teve aviltada sua herança e ainda espera por reparação.

Certa vez, Manoelito de Ornellas escreveu no Correio do Povo, na coluna "Prosa das Terças", que era preciso salvar o velho bronze. Esse bronze é exatamente nossas raízes avoengas, nossa história e nossa cultura. Pode-se hoje dizer que, não obstante os obstáculos de uma massificação ideológica apassivadora, o elo outrora evanescente revigora-se. Nossos artistas e poetas nos ajudam a forjar os meios para resguardar um passado onipresente como regalo para as futuras gerações. A cultura missioneira, sob a batuta do mestre Pedro Ortaça, com o dinamismo de Clóvis Carneiro Brum, aliada à adesão da gauchada, migrantes que são verdadeiros embaixadores do Rio Grande em Brasília, levou a voz do povo à capital federal, onde nem sempre ela é ouvida.

Correio do Povo
Porto Alegre - RS - Brasil

ANO 116 Nº 339 - PORTO ALEGRE, DOMINGO, 4 DE SETEMBRO DE 2011.


Veja também:
www.cursodeportugues.zip.net
(Curso de Português)

www.megalupa.zip.net
(Jornal Megalupa)
Landro Oviedo
Enviado por Landro Oviedo em 06/03/2012
Alterado em 10/03/2012


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"A VIDA É BELA. QUE AS FUTURAS GERAÇÕES A LIMPEM DE TODO MAL, DE TODA OPRESSÃO E VIOLÊNCIA E A DESFRUTEM PLENAMENTE." (LEON TRÓTSKI)