"Como dois e dois são quatro/Sei que a vida vale a pena/Embora o pão seja caro/E a liberdade pequena" (Ferreira Gullar)
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O JORNALISMO RASTEIRO DA RBS EM DOIS ATOS

2Q==

 
      A RBS, afiliada da Rede Globo, se gaba de agir, no jornalismo do seu grupo, com normas éticas e se considera exemplo para os demais veículos de comunicação. Será que é assim mesmo? Vamos ver dois casos interessantes que mostram que esse conglomerado realmente faz muitas coisas que seu público não vê. Nem deveria.

Primeiro ato

    No dia 4.4.2011, o Jornal do Almoço apresentou uma matéria na qual seus repórteres colocaram um carro sem condições para rodar nas estradas federais e estaduais do Rio Grande do Sul. Com isso, cometeram infrações de trânsito e o pior, são réus confessos e inseridos, pelo menos, em alguns dos diversos incisos do artigo 230, do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Colocaram em risco a vida de várias pessoas ao trafegar com automóvel totalmente inseguro, podendo causar acidentes.

   Segundo a reportagem, o objetivo era "testar" a fiscalização. E ainda tiveram o desplante de cobrar falta de fiscalização dos comandantes da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Rodoviária Estadual. Esses senhores, em vez de anotar os dados do veículo e realizar o auto de infração, com apreensão, prevaricaram e ainda ficaram se explicando para a RBS. Quer dizer que o CTB vale para os motoristas comuns, menos para os veículos desse grupo que se considera acima da lei, com direito a "teste drive" da fiscalização de trânsito?

Segundo ato

    O escárnio é mercadoria em alta no balcão da RBS. No Dia de Finados de 2010, no Jornal do Almoço, a emissora apresentou aquela tradicional pauta da data, mostrando túmulos mais visitados, situação dos cemitérios, uma fala aqui e outra ali. O inusitado é quando entraram com uma matéria com entrevistados que estavam com doenças incuráveis, prestes a morrer num hospital. Em pleno dia dedicado aos mortos, é tétrico ver uma reportagem como essa, expondo à curiosidade pública pessoas em estado emocional de desalento, com explícita fragilidade interna. Esse fato é uma nódoa na história do jornalismo gaúcho, não só pelo mau gosto como pelo sadismo vergonhoso e impudente.

    "Pra fazer a TV que você vê, a gente faz muita coisa que você não vê." Baixa a cortina.


Linques das matérias citadas:
Carro Velho

http://mediacenter.clicrbs.com.br/templates/player.aspx?uf=1&contentID=175711&channel=45

Finados

http://mediacenter.clicrbs.com.br/templates/player.aspx?uf=1&contentID=147402&channel=45

 

 


Fonte: jornal Megalupa, nº 1, Dez/2011, Porto Alegre-RS.
 

Landro Oviedo
Enviado por Landro Oviedo em 09/03/2012
Alterado em 03/10/2013


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