"Como dois e dois são quatro/Sei que a vida vale a pena/Embora o pão seja caro/E a liberdade pequena" (Ferreira Gullar)
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     A MORTANDADE DE ÁRVORES EM PORTO ALEGRE

     Porto Alegre está virando um cemitério de árvores, graças à gestão do prefeito Nélson Marchezan Junior (PSDB). Já são incontáveis árvores derrubadas sem nenhum critério e sem prévio aviso, que é uma forma iníqua de evitar manifestações dos defensores da natureza. Se antes derrubar uma árvore exigia certos procedimentos, agora, basta um laudo privado para que o genocídio seja legalmente autorizado. As consequências disso já são totalmente visíveis. Basta ver o entorno dos quarteis em Porto Alegre, na área da Rua dos Andradas. As árvores foram derrubadas sem dó nem piedade. O mesmo aconteceu na Rua da República, conhecida internacionalmente por ser uma das ruas mais arborizadas da Capital. Dezenas de árvores vieram abaixo. As conveniências de uma minoria estão sendo colocadas acima dos interesses da coletividade, como é típico de um governo de direita e elitista.
     O que se pode ver nestes casos é uma indiferença pelo patrimônio público, seja o material, seja o imaterial. O que essa gente quer é simplesmente usar o poder público como escritório privado dos seus interesses escusos. Não importa se a natureza será prejudicada. A metáfora da livre iniciativa funciona apenas como uma forma de fazer prevalecer o que eles consideram como adequado para suas metas econômicas. O liberalismo não planta árvores, o liberalismo não se preocupa com essas coisas menores. Portanto, ele pode cortá-las sem sentimento de culpa.
     Muita gente morreu para implementar uma República ou na luta por liberdade. Eles não consideravam que governantes tivessem que chegar a essa condição pela genética ou por outros meios excludentes. Muitos lutaram contra as elites de suas épocas. Assim foi com Simón Bolívar, Artigas, Castro Alves, Frei Caneca, João Cândido, Zumbi e tantos outros. O que eles não sabiam e que sabemos hoje é que as elites se reinventam. Transformaram as eleições num jogo de cartas marcadas. É assim que temos mandatários como o atual prefeito de Porto Alegre, um sociopata da flora. Enquanto as árvores agonizam, ele ri perversamente em seu gabinete. Espero sinceramente que seus dias de lenhador remoto estejam contados. Os sinos das catedrais de Porto Alegre estão dobrando pelas árvores derrubadas por um governo cruel e sacripanta. A vida não pode ser interrompida por decreto.
Landro Oviedo
Enviado por Landro Oviedo em 09/12/2019
Alterado em 09/12/2019


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