"Como dois e dois são quatro/Sei que a vida vale a pena/Embora o pão seja caro/E a liberdade pequena" (Ferreira Gullar)
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     QUEM SÃO OS "JUDEUS" DE BOLSONARO

     O nazismo triunfou na Alemanha e fez milhões de vítimas em face de um nacionalismo que Adolf Hitler retirou de uma mitologia religiosa deturpada e de um tratado de guerra que deixou o país ferido em seu âmago e com sua economia destruída na Primeira Guerra Mundial. Foi insuflando um sentimento de superioridade racial e cognitiva, prometendo uma nova era para a nação e elegendo como inimigos os negros, os ciganos, os sindicalistas, os deficientes físicos e mentais, os homossexuais e os judeus, considerados um entrave para o desenvolvimento nacional, que ele galvanizou as camadas médias e altas da população para serem seus cúmplices no seu projeto genocida. Dos cerca de 50 milhões de mortos nessa guerra insana que foi a Segunda Guerra Mundial, pelo menos seis milhões eram judeus, que perderam seus corpos, suas almas, suas famílias, seus dentes, seus relógios, suas roupas, seus óculos, sua pele e tudo que pudesse ter algum valor econômico para o regime do 3º Reich. A falta de empatia dos carrascos nazistas ao assassinar famílias inteiras é um alerta que nunca deveria ser esquecido. Mas às vezes essa realidade é mitigada, como quando tresloucados mentais pedem a volta de regimes totalitários geridos por ditadores e sádicos torturadores. Como ora está ocorrendo no Brasil.
     Evidentemente, não se pode comparar Jair Bolsonaro a Adolf Hitler, seja porque as épocas são distintas, seja porque o carisma de Bolsonaro é de voo de galinha, seja porque o Brasil tem instituições funcionando, ainda que distantes dos anseios da população, mas que servem como uma contenção para os devaneios bolsonaristas. Outrossim, o que se vê é que o atual governo tem como estratégia saquear as terras indígenas, remover quilombolas, asfixiar a luta sindical, metralhar a educação e jogar o país no atraso sem ciência. Fazer o trabalho sujo para as elites mais retrógradas parece ser uma tarefa de gincana para um governo cujo presidente apresenta sérios sinais de demência e de indiferença social.
     Se Hitler capitalizou para seu estafe em cima da expropriação do patrimônio dos judeus, Jair Bolsonaro quer amealhar riquezas para seu séquito psicopático expropriando, desmatando e grilando terras indígenas, assim como tomando os territórios dos quilombolas, como está tentando fazer no Maranhão. Há muitos negros que apoiam Bolsonaro, mas esse apoio é mais um ultraje à luta de uma raça que sofreu e continua sofrendo com a desigualdade socioeconômica e política.
     São esses e outros segmentos que são vilipendiados por Jair Bolsonaro (lembram o que ele falou sobre ter uma filha mulher?). Ele incentiva a violência contra esses grupos sociais e étnicos como forma de desapropriá-los de seus bens e valores culturais. Tudo com o apoio de gente saudosista de tempos fictícios e com um analfabetismo político constrangedor.
     Por fim, cabe lembrar que Bolsonaro coloca Deus acima de tudo como forma de legitimar seus atos. Ludwig Feuerbach já dizia que os homens constroem deuses segundo sua forma e semelhança. Será que o Deus de Jair Bolsonaro é o mesmo Deus sádico e perverso que mandou Abraão assassinar seu único filho e agora ordena que ele se volte contra negros, índios e outros brasileiros que ousam discordar de suas maluquices e vilanias?
Landro Oviedo
Enviado por Landro Oviedo em 20/04/2020
Alterado em 22/04/2020


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