"Como dois e dois são quatro/Sei que a vida vale a pena/Embora o pão seja caro/E a liberdade pequena" (Ferreira Gullar)
Textos


     LEITURA NOS APLICATIVOS
     Isto que cito se refere a um dos três momentos da minha vida em que morei em Passo Fundo, cidade que foi cenário de muitas descobertas culturais e intelectuais da minha juventude. Influenciado pelo meu amigo Marco Weissheimer (sim, eu já decorei o sobrenome), adquiri o hábito de diariamente ir a uma banca que ficava quase em frente ao Banrisul, na avenida Brasil, para comprar a Folha de São Paulo, que devorava de rabo a cabo. Era uma forma de complementar minha leitura dos jornais da Província, que eu lia no Sindicato dos Bancários, onde prestava assessoria de imprensa com publicações ácidas e desenvoltas.
     Posteriormente, quando passei a trabalhar no Correio do Povo como revisor, consultor de português e editorialista, funções sucessivas e hoje acumuladas, uma das vantagens de que eu desfrutava era o fato de poder ler diariamente os grandes jornais do centro do país. Assim, lia o Estadão, O Globo, Folha de São Paulo, Valor Econômico (principalmente seu suplemento cultural). Posteriormente, com o corte de despesas que atingiram todas as redações, essas aquisições cessaram. Muitas vezes, dei continuidade ao processo na sala de leitura do Sindicato dos Jornalistas, que disponibilizava a Folha.
     Passados alguns anos, descobri então que tais jornais poderiam ser acessados por meio de aplicativos ligados às operadoras de celular. E o melhor, sem custo. Muitas revistas e muitos jornais no portfólio. Foi então que fui à Claro e fiz minha primeira assinatura nessa modalidade. Lembro-me de que, na ocasião, fiz questão de ressaltar ao atendente que esse acesso era imprescindível para mim. Pensei que deveria haver muita demanda em torno dessa ferramenta, que já havia há algum tempo e que hoje praticamente todos os planos disponibilizam sem ônus. Fiquei surpreso quando ele me olhou igualmente surpreendido e afirmou: "O senhor é o primeiro que demonstra tanto interesse nisso". Como professor de português, fiquei um pouco desapontado. Parafraseando Monteiro Lobato, um país se faz com homens, mulheres, jovens, idosos, crianças, jornais, revistas e livros.
Landro Oviedo
Enviado por Landro Oviedo em 18/05/2021
Alterado em 18/05/2021


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